Voltando ao básico: o que é o bitcoin e quais suas vantagens?

Voltando ao básico: o que é o bitcoin e quais suas vantagens?

Considerado a "internet do dinheiro", o bitcoin é um instrumento contra o poder excessivo dos bancos e um grande democratizador do dinheiro; veja por que

Voltando ao básico: o que é o bitcoin e quais suas vantagens?

Por Redação

Hoje iniciamos uma série de matérias voltadas ao público que ainda não tem muitas informações sobre o bitcoin. Para isso, contaremos com a ajuda dos nossos amigos do Cripto Economía, uma iniciativa espanhola educacional sobre criptomoedas e blockchain.

E na nossa primeira matéria, voltaremos ao início: o que é bitcoin?

De uma forma simples e direta o bitcoin é a primeira moeda digital descentralizada. Tal como dinheiro, o bitcoin é uma representação de valor. Por exemplo, se alguém faz um trabalho para outra pessoa, ela recebe em troca dinheiro, que representa o valor daquele trabalho feito. Com esse dinheiro, você pode trocar por uma outra coisa de valor semelhante. E assim sucessivamente.

Ao longo da história, diversos materiais diferentes serviram como representação de valor, além do papel moeda. O sal, o trigo, conchas marinhas e o ouro foram alguns deles. O que é comum a todos eles é que seu valor estava baseado em confiança. Ou seja, para realmente terem valor, era necessário confiar que eles eram realmente valiosos. E que assim permaneceriam tempo suficiente para readquirir esse valor no futuro.

De 150 anos para cá, isso mudou. Desde então, passamos confiar em alguém: os bancos. Explicamos: antes usava-se ouro, por exemplo, como meio de troca. Mas devido ao incômodo que era andar com barras de ouro, criou-se algo que representasse o valor do ouro: o papel-moeda. Então, quem detinha certa quantidade de ouro, tinha a opção de depositá-lo nos bancos e receber, em troca, um certificado de que havia depositado aquele valor em ouro na instituição.

Se hoje as pessoas custam a entender essa nova forma de dinheiro chamada bitcoin, imagina como foi quando do uso do papel moeda. Assim, hoje estamos exatamente nesse momento, na mudança de paradigma da representação de valor.

Contudo, o vínculo da nota de papel com o ouro depositado se rompeu completamente por volta dos anos 1970. Hoje são os próprios governos os responsáveis por manter o valor do papel moeda. Assim, esse sistema segue funcionando em razão da confiança que as pessoas têm nos governos.

Poder nas mãos dos bancos

Apesar da grande conveniência, as moedas fiduciárias têm duas desvantagens em geral. Primeiro, elas são centralizadas. Ou seja, existe uma autoridade central que a controla e a emite. Nesse caso, os bancos centrais. Segundo, não está limitada em quantidade. Assim, os bancos centrais podem emitir quanto quiserem e inflar a oferta monetária no mercado, causando inflação. Em outras palavras, cada cédula passa a valer menos porque os preços sobem.

No entanto, hoje em dia usamos majoritariamente dinheiro digital. Seja por cartões de crédito, transferências bancárias, sistemas de pagamento online, etc. Para se ter uma ideia, do suprimento mundial de dinheiro, somente 18% é dinheiro físico. E são os bancos, de forma centralizada, que definem de quem é o dinheiro representado digitalmente.

O problema disso é que essas instituições têm nas mãos um poder enorme. E isto cria problemas uma série de problemas ligados à corrupção, má gestão do dinheiro público e falta de controle do dinheiro pelos cidadãos – por exemplo, um governo pode confiscar sua conta corrente.

A solução

O bitcoin surgiu justamente para resolver esses problemas. O white paper de Satoshi Nakamoto publicado em 2008 propunha justamente uma forma de resolver as inconveniências do dinheiro tradicional, seja ele digital ou físico. Ou seja, ele criava uma moeda digital livre da possibilidade de duplo gasto e independente de uma autoridade monetária central. Por isso, é chamada de uma solução descentralizada, tal qual a própria internet.

Então, o que é o bitcoin?

Em essência ele é um livro de contabilidade totalmente transparente e descentralizado, que funciona de maneira similar à internet. Hoje, os bancos fazem a gestão de seus livros de contabilidade, contendo todos os saldos bancários e transações. No entanto, ninguém tem acesso a esses livros. O bitcoin, por outro lado, é um livro de contabilidade totalmente transparente, onde qualquer pessoa pode ver todos os saldos e transações. A única coisa que não se consegue ver é a quem pertencem.

Além disso, esse livro é totalmente descentralizado, ou seja, não tem um dono, não é gerido por uma empresa. Ou seja, todos os computadores que participam do sistema guardam uma cópia do livro contábil, que é o que conhecemos por blockchain. Portanto, se algum hacker quiser atacar o sistema, terá que atacar milhares de computadores que têm a cópia desse livro. Não há um ponto único de vulnerabilidade.

Vantagens

O bitcoin não tem fronteiras geográficas. Portanto, se a economia de um país for afetada negativamente, o bitcoin não será afetado. Ademais, nenhum governo ou autoridade poderá confiscar o seu dinheiro ou impor limite de gastos nem impedir que seja usado. E ainda você não vai pagar tarifas excessivas como as pagas hoje aos bancos para fazer transações internacionais, por exemplo.

O bitcoin, por isso, pode ser comparado como a internet do dinheiro. Há alguns anos, para ter acesso à informação, era necessário confiar em alguns veículos de imprensa específicos. Hoje, com a internet, a informação está disseminada e disponível para quem quiser consumi-la.

Por último, o bitcoin dá acesso às pessoas a um sistema bancário completo e descentralizado. Hoje em dia, dos 7 bilhões de habitantes do planeta, somente 1 bilhão têm acesso a um sistema bancário completo. Com um celular simples, capaz de mandar sms – ou seja – sem precisar ter acesso à internet, qualquer um pode usar bitcoins como meio de troca de valor.