As taxas de juros negativas são realidade em várias economias mundiais. Elas são resultado de esforços governamentais para estimular a atividade econômica e de empréstimos. Como consequência, estimulam a inflação e tornam a moeda mais fraca frente a outras – em razão dos fluxos de capitais. No entanto, elas não estão funcionando, segundo o editor do portal Forexlive, Adam Button.

E ele justifica sua afirmação. Em novembro, a CME analisou os resultados de taxas de juros negativas em quatro regiões: zona do euro, Japão, Suécia e Suíça. Todos foram negativos entre 2014 e 2016. O relatório apontou que nenhum dos quatro “atingiu suas metas de inflação como resultado de taxas de juros negativas”.

Além disso, o experimento de taxa negativa até agora não conseguiu estimular o crescimento de maneira sustentável. Os primeiros retornos no Japão, na zona do euro e na Suécia foram sólidos, mas o PIB recuou para quase zero.


Taxas de juros negativas não têm impacto sobre as moedas

A maior surpresa, no entanto, aponta o editor, foi a falta de impacto nas moedas. No geral, os dados indicam que as taxas de juros negativas não enfraqueceram consistentemente as moedas analisadas. Em alguns casos, a estratégia tornou-as mais fortes.

Esse é o caso do iene, que se fortaleceu e, mesmo com a queda desde 2016, ainda está acima do nível em que o limite zero foi violado. O franco suíço também está mais forte, mas esse fenômeno está vinculado à outras questões que impedem conclusões mais assertivas.

Uma moeda em que a estratégia surtiu efeito foi a coroa norueguesa, mas mesmo lá os resultados não foram tão significativos. Quanto ao euro, houve pouco declínio.

“Ao mesmo tempo, há rumores crescentes de que taxas negativas são uma das razões pelas quais o crescimento não se recuperou”

O autor defende que os resultados para os países com taxas negativas serão maiores quando o crescimento global aumentar e eles forem usados ​​como “carry funders”. “Ao mesmo tempo, há rumores crescentes de que taxas negativas são uma das razões pelas quais o crescimento não se recuperou”, destaca.

David Kotok, da Cumberland Advisors, também publicou um artigo atacando taxas negativas. Para ele, o preço dos ativos não reflete a realidade das economias. Como resultado, os bancos e agentes expostos a esses ativos aumentam seus preços para se protegerem desse risco adicional induzido pelas taxas de juros negativas. “Quando aumentam seus preços, aumentam os custos transacionais e, portanto, suprimem a atividade econômica.”

As taxas de juros negativas alteram o racional de valuation das empresas. E até mesmo o processo decisório para novos investimentos no setor produtivo, já que o custo do dinheiro está artificialmente baixo. Por outro lado, indivíduos e bancos centrais estão comprados em muitos desses ativos sobreprecificados.

Analistas dizem que quando a bolha estourar o mundo pode entrar numa nova grande recessão. E a saída para proteger o patrimônio é se expor a ativos anticíclicos como o bitcoin.