Setor de blockchain e criptomoedas já é mainstream

Setor de blockchain e criptomoedas já é mainstream

Presença massiva de gigantes na Crypto Valley Blockchain Conference em Zug, no fim de junho, aponta que criptomoedas já passaram da fase do hype e chegaram ao mainstream

Setor de blockchain e criptomoedas já é mainstream

Por Redação

As empresas tradicionais invadiram o mundo crypto. Ao menos é o que se pôde ver no Crypto Valley Blockchain Conference, realizado em Zug, na Suíça no fim de junho. Empresas como Microsoft, IBM, Swisscom, Zurique, SAP, Postfinance, SIX Group ou Bank Vontobel marcaram presença no evento. O próprio movimento do Facebook com a libra indica que as criptomoedas e a blockchain já são mainstream.

A quantidade de empresas “tradicionais” presentes no evento não foi coincidência. Segundo o CEO da empresa de investimentos e aceleradora Crypto Valley Venture Capital (CVVC), Mathias Ruch, hoje dificilmente uma grande empresa internacional não trabalha em um projeto blockchain .

Aplicações crypto ou blockchain estão lentamente se tornando mainstream, disse Daniel Haudenschild, presidente da Crypto Valley Association, empresa organizadora do evento. “Agora os grandes players vêm e lançam seus fundamentos. Isso agora pode ser visto com o Facebook e seu novo escritório em Genebra. Isso é uma grande âncora na Suíça”, afirmou.

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Haudenschild afirmou que a correção no mercado em 2018 foi uma limpeza necessária. “2017 foi um ano incrível para as criptomoedas e o movimento blockchain. Então isso se encontrou com a realidade no ano seguinte”. Naquele ano, após um hype sem precedentes , o preço do bitcoin caiu fortemente em um intervalo de seis meses.

Dessa forma, o sentimento no evento é que o hype acabou e as criptomoedas são mainstream, “e assim também um monte de besteiras que se foram – graças a Deus”, disse o presidente da CVVC. Agora, o setor está trabalhando em soluções reais adequadas para a massa. A esperança é que esse desenvolvimento leve a indústria para um novo nível.


Libra sofre fortes críticas no evento

A libra também foi bastante discutida no evento. Um representante do Banco Nacional Suíço (SNB) comentou sobre o projeto. Ele vê os planos fundamentalmente interessantes e tranquilos. Além disso, as empresas que fazem parte da iniciativa sugeriram que elas querem seguir as regras de cada país.

A academia, contudo, presente ao evento, expressou preocupações quanto à libra. Tomaso Atser, da University College London, alertou que o Facebook diz querer dar às pessoas sem banco acesso a serviços bancários, mas o faz em troca dos dados pessoais delas.

“Ou seja, eles vão vender os dados dos pobres desbancarizados para vender a eles algo que eles não precisam. Ao menos Visa e Mastercard, embora sistemas centralizados, usam meus dados de forma justa. Eu não recebo uma propaganda de café logo depois de tomar um café. Não posso dizer o mesmo do Facebook”, comentou.

Alexander Lipton, do MIT, foi na mesma direção. “As pessoas desbancarizadas assim o são por uma razão, que tem a ver com outros problemas que a libra não vai resolver”. E se disse incomodado com um futuro de “scrip money”, ou seja, cada companhia emitindo sua própria moeda.

Na semana seguinte ao evento, a chefe do comitê de finanças da Câmara dos Deputados dos EUA, Maxine Waters, pediu que o projeto fosse interrompido enquanto investigações regulatórias não fossem concluídas. Em seguida foi a vez do presidente Trump e seu secretário de Tesouro dispararem contra a libra e o bitcoin.