O mercado do DeFi (ou finanças descentralizadas) vive um boom que tem desbancando altcoins consideradas “queridinhas” dos investidores. Mas muitos não sabem bem do que se trata este mercado. Por isso, respondemos aqui algumas perguntas como o que é o DeFi, para que seus produtos servem e as oportunidades e riscos que eles trazem.

O que é o DeFi?

Enquanto nas finanças tradicionais as operações são centralizadas, com um único ponto responsável por tomar conta dos demais, no DeFi isso é disperso. O DeFi se baseia em redes de pessoas conectadas pela tecnologia blockchain.

Assim, por exemplo, saem de cena os grandes bancos e as plataformas conectam pessoas que podem emprestar dinheiro umas para as outras.

Possibilidades para os usuários

Uma das possibilidades nas finanças descentralizadas são os empréstimos. A diferença, além da ausência dos bancos, é como se remunera o empréstimo de um ativo digital. Como alguns ativos são mais arriscados de se manter do que outros, as taxas de empréstimo variam conforme o ativo, explica o Transfero Research.

Mas há mais opções para os usuários além dos empréstimos entre pessoas sem a mediação de um banco. Há também derivativos digitais descentralizados. Ele funciona como um derivativo tradicional: um contrato futuro com um certo vencimento. A diferença é que o smart contract tem programação para comprar o ativo naquela data sem precisar de um intermediário.

Usos práticos do DeFi

Na avaliação de Carlos Russo, head de Research and Portfolio Management da Transfero Swiss, “o principal uso prático de DeFi é a troca ou câmbio de criptomoedas sem a necessidade de cadastro em uma corretora”. Isso garante anonimato nas operações e também impede que o governo interfira.

Ele dá como exemplo a decisão da Argentina de proibir transferência de dólares entre seus cidadãos. No entanto, eles conseguem fazer operações com stablecoins, por exemplo, por meio de soluções DeFi.

O que atrai tanta gente?

Para Russo, há dois tipos diferentes de pessoas engajadas com o DeFi. Uma parte tem interesse nos altos ganhos possíveis com os tokens de governança das empresas de DeFi. Estes tokens, que dão a seus detentores o poder de voto em decisões sobre o negócio, são altamente voláteis e permitem, assim, embolsar lucro alto se o investidor comprar o ativo antes de este se tornar mainstream. O segundo grupo diz respeito aos usuários, que buscam os serviços e possibilidades oferecidos por este mercado.

O que saber antes de investir

O primeiro ponto a se considerar é que plataformas DeFi são um programa (software) rodando em uma blockchain, explica Russo. Portanto, sua segurança está ligada à não existência de falhas nesses códigos. Contudo, há sempre o risco de perdas, apesar de auditorias. “Nesse sentido, usuários que buscam aplicar criptomoedas nesses contratos em busca de retornos elevados necessitam reconhecer a possibilidade de perda desses fundos”, alerta.

investidorJá aqueles que querem apenas comprar tokens de governança para especular precisam ter em mente que há uma alta volatilidade. Ou seja, apesar das chances de um bom retorno, é possível também amargar prejuízo se o ativo não tomar o rumo que se previu.

Destaques na área

Entre os projetos que se destacaram na área está o protocolo Synthetix. Este emite ativos sintéticos que usam como colateral um token do próprio protocolo. Esse colateral fica em uma pool de liquidez desde sua emissão. Assim, ele permite converter os ativos sintéticos diretamente com o smart contract. Isso melhora algumas questões das exchanges descentralizadas, como a falta de liquidez, por exemplo.

Outro que se destaca é o Aave. Ele também se baseia em pools de liquidez. A taxa para um financiamento vai variar conforme a quantidade de fundos na pool no momento em que a pessoa quer o crédito. Já a taxa para quem financia varia de acordo com a moeda.

Também podem ser citados como cases de sucesso o Balancer e o Compound. Este último viu seu token de governança se valorizar rapidamente logo após o lançamento.

DeFi pode ameaçar exchanges centralizadas?

Para a equipe de pesquisa da Transfero Swiss AG, o DeFi vai dominar também quando o assunto forem as plataformas onde se negociam moedas. “Dado o caráter revolucionário e descentralizado das criptomoedas o ecossistema DeFi, é difícil acreditar que as exchanges que negociarão os maiores volumes no futuro serão as centralizadas que hoje dominam o meio cripto”. A avaliação consta em relatório do Transfero Research.

Em uma Decentralized Exchange (DEX), não há uma instituição central que faça a troca de ativos entre os dois usuários. Essa mediação é feita por um smart contract.

Há bolha no mercado?

Dado o sucesso dos protocolos DeFi, muitos especialistas acreditam que há uma bolha. Russo, da Transfero, concorda com a avaliação. E reconhece ser complexo identificar o potencial dela. “Como em todas as bolhas, é possível ganhar ou perder muito dinheiro. Difícil é saber se estamos no fim ou no começo (da bolha)”, resume.

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