As stablecoins lastreadas em moedas fiat são uma porta de entrada para o mercado cripto e podem ser o espaço para a consolidação do segmento, afirmaram executivos durante a Rio Cripto Day 2022. Os criptoativos, como BRZ, USDC e USDT, se provaram durante o derretimento da Terra/Luna nos últimos 45 dias.  

“A stablecoin é a base para interagir no ambiente de Web 3.0”, afirmou Carlos Eduardo Russo, CFO da Transfero, durante o Rio Cripto Day. Tais criptoativos permitem que o público tenha mais segurança nas transações financeiras, ajudando assim a passagem para o ambiente de blockchain.

Ao dar essa base de recursos, a stablecoin traz segurança para novos investidores e também garante liquidez do cripto no “mercado real”. Na opinião do gerente educacional da Órama Investimentos, Gilvan Bueno, o grande desafio das criptomoedas é chegar no dia a dia das pessoas. “Quanto mais usarem a plataforma, mais riqueza vai gerar. Para isso, precisa democratizar e chegar em todos”, disse Bueno, no evento.

Efeito multiplicador

No mundo DeFi, as stablecoins lastreadas em moedas são vistas como um ativo mais seguro para se criar pool de liquidez, como explicou Caio Vicentino, embaixador da MakerDAO no Brasil. No Rio Cripto Day, Vicentino indicou as muitas formas que os usuários podem usar o DeFi para fazer os criptoativos renderem, e ainda bateu na tecla da eficiência.

“A eficiência é o conceito fundamental dos criptoativos. É a eficiência que faz com que esse ecossistema ganhe escala e valor mais rápido do que o sistema tradicional financeiro”, comentou Vicentino.

Russo indicou que a emissão de stablecoins de dólar e de outras moedas já supera a emissão de reais no Brasil. Só no ano passado foram emitidas U$ 200 bilhões em stablecoins.

O executivo da Transfero também explicou o “efeito multiplicador” das stablecoins em cima do lastro. “Toda vez que alguém deposita stablecoin em uma plataforma descentralizado, e alguém pega emprestado, a oferta monetária é duplicada”, disse Russo.  

O exemplo (do que não fazer) de Terra/Luna

As stablecoins algorítmicas ainda estão em testes no mundo e, pelo menos nos últimos meses, mostraram fragilidades consideráveis. O caso do token Luna, que zerou o seu valor de abril até maio, é significativo para o mercado entender o quanto as stablecoins ainda precisam ser apoiadas por um colateral.

O algoritmo, em tese, funcionaria como um fator para equilibrar a oferta e a demanda das moedas, diminuindo a sua volatilidade. O problema ressaltado pelo que ocorreu com Luna foi como não é possível se valer sem os lastros. “A moeda não tinha valor intrínseco”, explicou o CFO da Transfero. 

“Quando avaliamos Luna, era possível ver que não havia diversificação. Basicamente todo o valor que estava lá era o próprio ativo”, disse Leo Jaguaribe, criador da CriptoHolder, durante sua apresentação no Rio Cripto Day 2022. Segundo Jaguaribe, como não tinha lastro total, a resposta ao ataque direcionado é que o ativo simplesmente não tinha reserva para garantir o sistema. 

Por mais que os fundamentos mostrassem algum risco, diferente de outras stablecoins, o mercado ainda foi surpreendido pelo “nível” do ataque. Para Jaguaribe a perplexidade foi ver o “projeto” sendo zerado depois de um único choque de preço. Mesmo assim, esse caso apenas reforça a necessidade das stablecoins com lastro, como a BRZ ou a USD Coin.  “É uma lição que a indústria precisa entender, que não é fácil fazer um algoritmo de stablecoin. As stablecoins vistas como centralizadas ainda são importantes para a manutenção do ecossistema cripto”, finalizou Carlos Eduardo. 

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