Navegar pelas ondulações do mercado do bitcoin é complexo, principalmente nos últimos meses, quando o valor do criptoativo caiu quase 13% em um único dia. O “bear market” do bitcoin foi tema para análise dos especialistas no Rio Cripto Day. Durante o evento, analistas e especialistas trocaram informações sobre como encontrar oportunidades em meio à queda do valor da BTC, sem entrar em pânico.

Navegar pelo mercado já é complicado, agora imagine para quem começou agora a investir. Orlando Telles, sócio-investidor da Mercurius Crypto, trouxe um dado que cria um novo filtro para o segmento cripto: metade das pessoas que estão investindo em cripto no Brasil entraram no ano passado. “É um fenômeno interessante, normalmente a cada três anos, vemos o ciclo do preço e da entrada no mercado de bitcoin se renovando. A alta do preço chama a atenção das pessoas, que começam a ver sobre cripto na mídia e isso vira um ciclo”, comentou Telles. 

“É fácil investir na euforia, entrar na euforia. Há mais receio de se investir no bitcoin quando ela está em US$ 28 mil do que quando está em US$ 50 mil”, comentou o fundador da Financial Move, Tasso Lago, durante o Rio Cripto Day. Segundo ele, existem sentimentos que regem o mercado: desde tédio até euforia, passando por pânico e confiança. E todos eles acabam influenciando quando existem movimentos bruscos no preço dos ativos.

A regra que funciona no mercado de ações também rege o de criptoativos: comprar na baixa é um bom negócio. Os especialistas apontaram para o movimento das “baleias”, os grandes investidores em BTC, que aceleraram a compra dos criptoativos quando o valor foi para baixo dos US$ 30 mil.

Não tema o urso!

O primeiro passo para não perder a oportunidade do bear market é, na verdade, procurar os padrões. O bitcoin já teve cinco bear markets, o primeiro foi em 2011, quando caiu 94%. explicou Diego Velasques, criador da Vale Trader. “Todas essas quedas têm um ponto em comum: a base de preço alta”, apontou  Velasques. O trader e especialista em cripto afirmou que o criptoativo está em supertendência macro de alta desde que começou a ser trocado, e que esses choques de preço são comuns para ajustar a base.

De acordo com Lago, esse é o melhor momento para “montar posição hold de bitcoin”. “O bitcoin nunca rompeu abaixo dos US$ 20 mil (depois de ter passado desse patamar)”, disse o executivo. Para Velasques, há chance de subir bastante na próxima “volta” do mercado. “Na penúltima onda foi uma alta de 12,3%, já na última foi de 2 mil%. Qual será a valorização da próxima?”, questionou Velasques.

“Fomos programados para investir apenas em coisas que estão tendo valorização, temos certo medo quando acha que vai ter uma queda grande, de ir a zero”, comentou Velasques. Na opinião de Léo Jaguaribe, ser holder de bitcoin é ser um “sobrevivente”, já que é preciso ter técnicas para evitar se deixar levar pelo pânico do mercado. 

Sem euforia também

De acordo com o criador do Vamos para Bolsa, Rodolfo Marques, olhar para o histórico do ativo já mostra que há oportunidade. “O BTC foi, disparado, o melhor ativo da última década. O retorno anualizado foi de 197% em média”, disse Marques. Para ele, a volatilidade do mercado é algo passageiro e que não deve mudar o perfil da bitcoin no longo prazo. 

O indicador que Velasques se apoia é o que mostra a evolução do BTC em comparação com os papéis da Nasdaq. “É possível ver a diferença do mercado tradicional para o de bitcoin, e a partir dali é ver se o dinheiro está saindo do mercado de Wall Street para o mundo cripto”, comentou o especialista. Para ele, é preciso também ficar de olho no volume de vendas e de quem está entrando nas jogadas. 

“O pânico e a euforia são os sentimentos mais lucrativos do mercado”, finalizou Velasques. E apenas a educação dá segurança para o investidor não se firmar em nenhum dos dois.

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