Nem mesmo a tarde fria e chuvosa no Rio de Janeiro afastou os mais de 800 presentes no Rio Cripto Day. Com o objetivo de discutir, analisar e entender o mercado cripto, o evento contou com a participação de especialistas e tinha o foco na educação e no compartilhamento de conhecimento. Mais um exemplo de como o Rio de Janeiro tem se posicionado como referência sobre o tema.

“O Rio está se tornando uma referência no Brasil: é a capital do cripto no país, do Web 3.0 e da tecnologia blockchain”, resumiu Carlos Eduardo Russo, CFO da Transfero, em sua apresentação. A plateia, composta também por pessoas de outros estados, como Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo e Paraná, concordou com entusiasmo.

Bom humor junto com técnica

“Vocês não preferiam estar vendo Netflix?”, perguntou o gestor de fundos cripto e criador da Financial Move, Tasso Lago, às 22h10 em uma das palestras que encerrou o evento. A plateia respondeu, veementemente, que não. Tasso falou sobre análise técnica de criptoativos e como reduzir os riscos em operações de “swing trade”.

O especialista em criptomoedas Diego Velasques também falou sobre análise técnica dos criptoativos, mas com foco em visão de tendências macro e micro.“Quem aqui é comprador de Luna?”, brincou Diego no começo. Antes de se debruçar sobre as ferramentas e formas de ver as “grandes ondas” por detrás da euforia e pânico do mercado.  

Já Caio Vicentino focou em falar sobre o DeFi de maneira prática e como usar ferramentas para fazer os criptoativos renderem. “O mundo da Web 3.0 é complexo, traiçoeiro, mas cheio de oportunidades. E a gente tem que compreender o máximo possível para evitar as armadilhas”, falou Vicentino. 

O DeFi também foi o tema da palestra de Rodrigo Marques, que focou em como o sistema pode funcionar em favor dos detentores de cripto. “Temos quase 15 milhões de investidores em bitcoin no Brasil e só 4,4% investem em DeFi, muitos ainda deixam o cripto parado”, falou Marques.

A importância de bons projetos

A análise de fundamentos dos projetos de blockchain foi tema de conversas dentro e fora do teatro. Isso porque o público, de fato, usou o Rio Cripto Day para comparar carteiras e ver quais eram os ativos de blockchain mais promissores. Dentro das palestras, Christian Aranha e Léo Jaguaribe falaram sobre suas visões de como fazer análises de projetos “com futuro” nesse universo.

Fora das palestras oficiais, a audiência conversava sobre vários assuntos. As redes Ethereum e Avalanche, bem como as stablecoins, foram vistas de maneira positiva. Alguns outros projetos, como a tokenização de bens físicos, foram apresentados no Rio Cripto Day. A Bitget também mostrou suas soluções de DeFi no evento.

Educação em foco

“Levei dois anos para entender blockchain, mas quando entendi, fez toda a diferença”, falou Orlando Telles, sócio-investidor da Mercurius Cripto, logo no começo da sua apresentação, que abriu o Rio Cripto Day. Telles explicou como funcionam blockchains para apresentar uma visão mais ampla do mercado de cripto. Tais informações podem parecer corriqueiras, mas fazem toda diferença para o público, mesmo aquele que acredita que já é “expert”.

“Quando você se acha o ‘maioral’, é que tem algo errado”, brincou Tasso. O gestor apresentou o debate final da noite, que também contou com líderes do mercado “tradicional” e qual a visão deles sobre cripto. E, até mesmo entre essas pessoas, a educação sobre cripto fez diferença. 

“Se falassem comigo há três anos sobre bitcoin, eu teria algumas dúvidas. Mas a gente sempre precisa estar aberto a novos conhecimentos. Quando entendi sobre blockchain e sobre a oferta limitada do bitcoin, eu vi o quanto era revolucionário e que o negócio ia explodir”, disse Vicente Guimarães, CEO da VG Research, doutor em Economia e especialista em mercado financeiro há mais de 25 anos. No debate, Vicente falou que, agora, tem bitcoin em seu portfólio. 

Sabrina Coincidências e Giovana Simão, especialistas em cripto que apresentaram um painel sobre Web 3.0, falaram também sobre como perderam bastante dinheiro por entrarem no mercado sem muito conhecimento. O movimento fez com que elas fossem buscar a educação financeira para, então, experimentarem a liberdade proporcionada pelos criptoativos.  “Eu não vejo o bitcoin apenas como um investimento, mas como a essência da liberdade que ele promove”, disse Sabrina.

A educação, nesse sentido, é essencial para a popularização do mercado e também para a revolução de modelos de negócio trazida pelos criptoativos. E, durante quase 10 horas num sábado chuvoso no Rio de Janeiro, a audiência de quase mil pessoas pôde ter um gostinho de como pode ser o futuro do mercado cripto.

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