Diferentemente de  plataformas que se baseiam apenas em tecnologias como o Solidity, o Projeto Cartesi, criado em 2018, tem como grande inovação o fato de trazer o Linux, sistema operacional mais utilizado no mundo, para a blockchain. “Não estamos criando algo em cima da tecnologia existente, estamos trabalhando na fronteira tecnológica do que é possível ser feito em blockchain. O que nos propusemos a fazer – e estamos entregando – não existe no mundo”, disse o Head de Negócios da Cartesi, Bruno Maia, em entrevista exclusiva ao PanoramaCrypto.

Segundo ele, o ambiente de programação em Linux vai facilitar o acesso a milhões de desenvolvedores, do mercado tradicional, que não conhecem Solidity. Para os usuários, o benefício é que serviços e aplicações muito mais complexas poderão ser desenvolvidas a partir desta infraestrutura.

Confira os principais trechos da entrevista.

Poderia explicar o que é o Projeto Cartesi e quais seus diferenciais?

A Cartesi é uma fundação a qual tem como objetivo fomentar o projeto da Cartesi e seu desenvolvimento tecnológico assim como a sua adoção. Ela foi criada em 2018 e, dos quatro fundadores, três são brasileiros, vindos de áreas de tecnologia e engenharia da computação. Hoje, temos um time com mais de 50 colaboradores, sendo que a maioria deles também vem de áreas técnicas.

Nossa empresa é nativa em Web3, nativa em blockchain. Temos como uma das grandes inovações o fato de estarmos trazendo o Linux para a blockchain. Obviamente isso vem com todos os desafios em torno do processo de criação de inovação tecnológica.

Por que Linux?

Porque é o sistema operacional mais usado no mundo. A ideia começou em 2018, quando pensamos em fazer um “oráculo computacional” funcionando com Linux, que traria outra dimensão em termos de capacidade e flexibilidade em programaçção.

Fomos lançados pela Binance em 2020, o que foi um grande reconhecimento do potencial do projeto, já que ela é muito seletiva em seus projetos. Nosso projeto evoluiu, para ser uma arquitetura, do que chamamos de camada 2 na blockchain. Nos posicionamos como “the blockchain OS” por literalmente estar trazendo o LINUX para a Web 3.0

linux
The blockchain OS vai facilitar o acesso a milhões de desenvolvedores que não conhecem Solidity, e que poderão usar uma linguagem de programação conhecida.

Trazer o Linux para a blockchain traz muitos desafios. Mas, ao mesmo tempo, oferecemos as mesmas garantias de segurança que a blockchain que somos integrados (primeiramente iremos implementar diretamente em Polygon). Isso permite escalar o nível de complexidade dos programas que podem ser executados (escalabilidade computacional) isso permite, por exemplo, a implementação de um jogo de poker totalmente descentralizado, algo simples de ser implementado em um sistema tradicional, mas desafiador de ser realizado diretamente em blockchain. O mercado tradicional é um “oceano azul” a explorar.

E para os usuários, qual o diferencial?

O benefício é ter serviços e aplicações muito mais complexas que poderão ser desenvolvidas a partir desta infraestrutura. Eles vão se beneficiar indiretamente quando programas mais sofisticados, criativos e envolventes forem sendo desenvolvidos, e os usuários finais vão utilizar esse produto. Vamos permitir uma nova geração, em uma nova classe de aplicações descentralizadas, que hoje não são possíveis. A ideia é oferecer a tecnologia de maneira conveniente e acessível, não de fazer dela uma “caça ao tesouro” para os desenvolvedores.

Nós lançamos nossa versão Alfa no final de 2021 e neste momento estamos polindo a tecnologia para que ela tenha uma usabilidade mais prática e conveniente, pois não importa o quanto a solução seja disruptiva, se não houver conveniência é mais difícil que ela seja adotada.

O desenvolvimento tecnológico é um trabalho sem fim, vamos sempre criar meios para a evolução dessa infraestrutura tecnológica. É um projeto que não tem um final, pois é um trabalho de pesquisa e desenvolvimento para que ele possa sempre se manter na fronteira tecnológica.

Seria possível citar alguns exemplos de aplicações que se baseiam na solução da Cartesi?

O céu é o limite no caso de aplicações descentralizadas (dApps). Já temos vários parceiros integradores, que têm desenvolvedores trabalhando em nossa versão atual. Temos exemplos em Phyton, em machine learning. Existem jogos complexos, como poker, totalmente descentralizado e isso serve demostrar o potencial da tecnologia.

Mas a solução serve para qualquer aplicação descentralizada. Pode ser um produto financeiro, um game, uma aplicação de suply chain ou de Iot (internet das coisas). Isso oferece uma riqueza de oportunidades.

Por exemplo, estamos suportando um projeto de sustentabilidade na África, no qual conseguimos medir e auditar emissões de carbono, de forma transparente, de fornos ecológicos, que poderão substituir os antigos modelos, mais poluentes.

Esses testes, que fazemos com parceiros selecionados, tornam nossa tecnologia muito mais tangível para os desenvolvedores. Devemos, em breve, lançar o projeto no mercado.

Há uma data para isso?

Não, só posso dizer que está em nosso roadmap. A questão é que quando trabalhamos com pesquisa e desenvolvimento, podem surgir questões e problemas pelos quais ninguém passou ainda. É tudo muito novo e neste nível de sofisticação, podemos nos deparar com questões ainda inéditas e precisaremos entender como resolvê-las.

Mas, esperamos atrair a atenção de muitos desenvolvedores e, com isso, colocar o Brasil ainda mais no radar internacional.

Precisamos de estímulos também, principalmente de regulamentação, segurança jurídica e fomento. Tudo isso também é determinante para projetos de inovação.

O que fez com que você abraçasse este projeto?

Eu entrei no projeto a convite do CEO, Erick de Moura, que foi um dos fundadores e sabia de meu conhecimento e bagagem em blockchain. Estou desde 2020. A visão do grupo é extremamente ambiciosa, além do potencial humano das pessoas envolvidas. O capital humano e a visão inovadora e disruptiva foram as principais motivações. Eu acredito que o Projeto Cartesi vai mudar por completo a forma como se programam aplicações descentralizadas.

Caso tenha algum comentário ou contribuição para o PanoramaCrypto, entre em contato com a nossa Redação.