Qual é o problema que o dinheiro busca solucionar? Essa é a pergunta inicial do livro “O Padrão Bitcoin: a alternativa descentralizada ao Banco Central”, cuja versão brasileira foi publicada em setembro do ano passado. No livro, o autor, Saifedean Ammous, responde que o dinheiro serve para viabilizar trocas, evitando situações que eram comuns no passado, como o escambo. 

Em outras palavras, para tornar o comércio possível, é preciso que exista uma moeda de troca. Caso contrário, vários problemas surgem. Em situações de troca de mercadorias, por exemplo, é necessário que exista interesse mútuo, além de métricas que possam identificar quanto vale cada produto.

Assim, surgiram vários meios monetários para viabilizar as trocas. Segundo Ammous, que é professor de Economia na Universidade Americano-Libanesa e membro do Centro sobre Capitalismo e Sociedade da Universidade de Colúmbia, historicamente vários bens funcionaram como dinheiro, tais como sal, gado, conchas, entre outros. Porém, ao mesmo tempo, todos eles (moedas de troca) se tornaram um “dinheiro fraco”, pois os estados tendem a monopolizar e aumentar a sua produção, para financiar seus gastos. 

O bitcoin faz parte desta linha de raciocínio econômico

Ao longo dos sete capítulos iniciais do livro, Ammous fala sobre dinheiro, moedas e sua desvalorização. Mas, e o bitcoin? Depois da análise sobre os sistemas monetários, o autor chega nas criptomoedas, mostrando como elas fazem parte deste raciocínio econômico. 

O ouro, até o século XIX, foi considerado o bem com melhor padrão monetário da história, justamente pela sua característica de escassez natural (ou stock-to-flow). Porém, ele era armazenado nos cofres dos grandes bancos, sendo um material difícil de transportar. Nesse momento, surgiu o dinheiro em papel. Com o tempo e a emissão de mais cédulas, o papel, mesmo com lastro em ouro, também se tornou uma moeda fraca. 

E é aí que entra o bitcoin, um ativo criado durante a crise de 2008/09, com o mesmo conceito stock-to-flow. “O bitcoin é um dinheiro que não pode ser confiscado e não pode ser censurado. Só você pode movimentá-lo, sem a autorização de ninguém. Seu sistema é ponto-a-ponto e descentralizado. Não existe nenhuma autoridade monetária que precise autorizar suas transações”, explica o tradutor do livro para a língua portuguesa, Guilherme Bandeira, em sua página. Além disso, ele não pode ser impresso por nenhum governo.

Assim, o bitcoin é, na visão de Ammous, uma alternativa descentralizada aos bancos centrais nacionais, escolhida pelo livre mercado, politicamente neutra e descentralizada, e não uma rede de pagamentos barata ou moeda ilícita. 

Edição brasileira de O Padrão Bitcoin tem capítulo extra

A versão em língua portuguesa do livro tem um capítulo extra, sobre escalabilidade. Nele, o autor se aprofunda no aspecto considerado uma das principais limitações do bitcoin: sua incapacidade de processar muitas transações, o que poderia impedir sua escalabilidade. 

Essa dificuldade decorre do tamanho dos blocos bitcoin, que faz com que seu tempo de geração seja elevado. Assim, a discussão é sobre como aumentar a quantidade de transações que a rede é capaz de processar por segundo. No capítulo exclusivo da versão nacional, o autor explica como o bitcoin poderá superar essa limitação. 

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