Um dos reflexos da crise econômica decorrente da pandemia foi a maior emissão de moedas fiduciárias por bancos centrais de várias nações, como tentativa de dar um fôlego extra à economia e auxiliar a população. Essa estratégia, no entanto, acaba levando à desvalorização do dinheiro. Por isso, algumas  organizações, como a MicroStrategy, passaram a enxergar outras soluções – como a compra de bitcoin – para preservar seu capital.

“Qualquer coisa mantida em moeda fiduciária, como o dólar americano, está deflacionando à taxa de 15% a 20% ao ano”, disse o presidente e CFO da MicroStrategy, Phong Le, em entrevista ao The Wall Street. Segundo ele, a empresa tradicionalmente investia em títulos do Tesouro, mas com o cenário apontando para a desvalorização da moeda tradicional, a solução foi buscar  “soluções mais inteligentes de diversificar”.

Bitcoin foi escolha para diversificar investimentos

Segundo Le, a MicroStrategy tinha um lucro anual de US$ 550 milhões, aplicados em títulos corporativos, ações e commodities, como prata e ouro. “Nosso negócio é altamente lucrativo e está em crescimento. Por isso, consideramos que a prioridade para o excesso de caixa é reinvesti-lo no negócio, agregando valor aos acionistas, funcionários e clientes”, explicou.

Assim, ele contou que a decisão pelo bitcoin considerou a possibilidade de tolerar a volatilidade de curto prazo em troca de ganhos potenciais de longo prazo.

“Se tivéssemos devolvido o capital excedente aos acionistas, a maioria dos quais são grandes instituições e bancos, eles não poderiam usá-lo para adquirir bitcoin, dadas as regras e regulamentações que precisam seguir. Mas demos a eles a oportunidade de vender suas ações para a empresa, caso não concordassem com a aquisição de bitcoin planejada. Aqueles que não venderam, tiveram a oportunidade de investir no mercado crypto por meio da MicroStrategy”, contou.

Segundo Le, quem não se sentisse confortável com a proposta de investimento em criptoativos poderia vender suas ações para a própria MicroStrategy, com um prêmio de 15%. “Estávamos preparados para recomprar o valor integral das ações, mas compramos apenas US$ 60 milhões dos acionistas que queriam vender”, afirmou.

Contabilidade e gestão de riscos

O presidente da MicroStrategy explicou que, em termos contábeis, o bitcoin é considerado um ativo intangível. Assim, a alternativa foi investir em um fundo e considerá-lo para fins de contabilidade.

Quanto à segurança, ele explica que a gestão é a mesma destinada às contas bancárias convencionais. “Optamos por arranjos de custódia de grau de investimento e de grau industrial para armazenar nossas chaves, e as tratamos da mesma forma que uma conta bancária. Ninguém pode movimentar ou retirar dinheiro de nossas contas ou de contas de custódia”, afirmou.

Segundo Le, atualmente, a estratégia de tesouraria da empresa é muito simples: “qualquer caixa acima de nossas necessidades de capital de giro, que é de cerca de US$ 50 milhões, é alocado para bitcoin”.

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