Live: Thiago César e Fernando Ulrich conversam sobre o mercado

Live: Thiago César e Fernando Ulrich conversam sobre o mercado

CEO da Transfero Swiss AG foi entrevistado pelo economista-chefe da Xdex, Fernando Ulrich, fazendo panorama abrangente do mercado atual

Cadu Russo
Thiago César
Live: Thiago César e Fernando Ulrich conversam sobre o mercado
Cadu Russo
Thiago César

Por Redação

Direto da Praça Vermelha, em Moscou, capital da Rússia, o CEO da Transfero Swiss AG, Thiago César, participou de uma live, via Instagram, na qual foi entrevistado pelo economista-chefe da Xdex, Fernando Ulrich, figura muito respeitada no mercado. No bate-papo, abordaram diversos assuntos, desde a situação das criptomoedas em países com controles de capital, passando também pelo fenômeno da tokenização, riscos do Tether, depuração do mercado, entre outros temas. Veja a seguir os principais trechos da entrevista concedida por Thiago

China

O mercado chinês está sendo movido por plataformas OTC. Exchanges sói conseguem operar em Hong Kong.

Rússia

Mercado está cada vez mais fechado. Em parte, fruto das sanções. A maioria das empresas russas de criptomoedas opera em Londres. A instabilidade política faz com que nenhuma empresa estrangeira queira negociar com empresas russas. Ou seja, temos players trabalhando de forma velada.

Depuração do mercado

Uma parte importante do bear market é a consolidação do mercado, ou seja, alguns players sobrevivendo à queda de preço e melhorando projetos. 90% eram projetos ruins que não tinham fundamento econômico. As pessoas colocaram o dinheiro sem conhecer os projetos, viram o dinheiro se multiplicar por 100 e, no fim, os projetos morreram. No Brasil mesmo, o bull market fez com que se multiplicassem o número de exchanges, gerando maus investimentos. Hoje só projetos sólidos ficam no mercado.

Thiago César

CEO da Transfero Swiss AG

Thiago César

CEO da Transfero Swiss AG

Se em cinco anos (o bitcoin) estiver em menos de US$ 100 mil não faz o menor sentido estar nesse mercado

Tokenização

Teve a hype dos ICOs e agora estamos na hype dos security tokens, ou seja, ativos profissionais usando a tecnologia de tokenização. Vejo algum futuro nos STOs, mas não sei até que ponto, por ser um mercado regulado de forma antiga. Me parece que isso vai matar a inovação que uma tokenização pode trazer. Sai na frente quem achar um meio termo regulatório para os tokens. Quanto ao makeDAO das stablecoins, vejo que as primeiras, como o Theter, sofrem  com a questão da confiança. Eles têm um banco em Bahamas que supostamente tem US$ 2,3 bilhões para fazer o colateral do token. Além disso, ela é uma stablecoin para uma moeda que não é líquida internacionalmente (dólar). Ele dá um pouco mais de flexibilidade, pois tira a necessidade bancária das exchanges, mercado opera 24/7, mas não vi nenhuma novidade.

MakeDAO

É um banco central dentro de um smart contract. Ele tem uma política econômica própria. Conceitualmente, é um marco na área de criptomoedas. No entanto, ele só funciona over colateralizado. Ou seja, se tiver mais ativos do que meio circulante de fato. Isso tira um pouco a atratividade do projeto. Você tem que ter 50% mais de colateral do que meio circulante. Filosificamente, ele serve para testar a substituição do homem fazendo política econômica versus o algoritmo fazendo política econômica. Quem sabe no futuro, ele vai trazer uma obsolescência para os bancos centrais.

Tether

O maior problema, na minha opinião, é o colateral do tether estar em uma instituição bancária, envolvida em Panama Papers. Além disso, são US$ 2,3 bilhões concentrados num banco em Bahamas, numa jurisdição complicada, com um banco complicado. Nós não sabemos o risco político que esse banco corre hoje. Fora que eles devem ser o maior cliente do banco. Ou seja, o risco é da instituição financeira e não da Bitfinex não ter os recursos.

Tese de investimento

Alguns bancos na Suíça se aproximaram da Transfero para oferecer produtos de gestão com mandato descricionário em criptoativos. Os primeiros produtos que saíram no Brasil eram bem simples: coloque seu dinheiro em reais, nós vamos comprar uma cesta de moedas e esperar a valorização do mercado. Hoje existe uma busca por gestão ativa de carteira. Mas na mesma medida que o investidor hoje exige mais sofisticação, o regulador vem mais forte.

Ceticismo no mercado?

De 2017 para cá, o mercado financeiro começou a levar a sério, com um foco na tecnologia. Hoje a percepção é de que as criptomoedas são uma realidade. Alguns bancos têm mesas proprietárias operando criptomoedas. Na Suíça, isso já não é novidade, como o banco Frick, talvez o primeiro banco europeu a abraçar as criptomoedas. Lá, se você tiver um patrimônio em criptomoedas, você não precisa liquidar de bitcoin para euros. Você pode depoisitar seus bitcoins, ethereuns, no Frick e ter o seu saldo em criptomoedas ou em moedas fiduciárias.

Uso como meio de troca

Minha visão é que o bitcoin vai agir mais como reserva de valor do que como criptomoeda. Pode ser que daqui a dez anos mude tudo. E ele já está sendo usado como meio de troca em países em desenvolvimento, com controles de capitais. Sobretudo para pagamentos internacionais. Nesse sentido, o uso de bitcoins como meio de pagamento vai servir mais à internacionalização do dinheiro.

Reservas internacionais

Acredito que países como Rússia, Venezuela e Coreia do Norte já têm reservas em bitcoins já, por temerem sanções. A própria Venezuela teve seu saque de ouro negado no banco central da Inglaterra. Então, um ativo apolítico e descentralizado faz todo o sentido para países que tenham um problema de sanções e alto risco. E o dólar está perdendo espaço como moeda de reserva global. Alguns bancos na Europa, inclusive, pedem para não operar em dólar e focar no euro. A própria China está fazendo isso.

Bitcoin dentro do cenário macro

Sigo com a visão de que o bitcoin é um ativo anticíclico. Ou seja, ele tende a acompanhar o ouro com oferta inelástica. Com uma sinalização de inflação por parte dos bancos centrais americano e europeu, as pessoas vão querer guardar seu patrimônio num ativo deflacionário.

Previsão do preço

Nos próximos seis meses, creio que veremos um mercado de lado, na faixa dos US$ 4 mil. E quando se aproximar o halving, vamos ver de novo uma subida. Então vamos lá, fim do ano a US$ 12 mil e se em cinco anos estiver em menos de US$ 100 mil não faz o menor sentido estar nesse mercado. É uma tecnologia muito democrática para fazer as pessoas enriquecerem. É o que sempre digo: o bitcoin é uma nave espacial, com destino à lua, mas ela sempre volta para buscar mais passageiros.