Uma nova era para a blockchain pode estar surgindo no mundo dos jogos. Grandes marcas mundiais, como Fórmula 1, NBA , UFC e a clássica fabricante de videogames Atari, estão abraçando essa tecnologia na hora de criar jogos. E a enorme base de fãs dessas empresas tem o potencial de ampliar várias vezes o número de pessoas que usam criptoativos.

Para se ter uma ideia da dimensão desse possível público, os populares jogos Fortnite and Minecraft somam 300 milhões de usuários únicos mensais, enquanto a Fórmula 1 chegou a 471 milhões de espectadores únicos no ano passado, de acordo com o Cointelegraph. Os números dos usuários de jogos superam com folga os 16 milhões de pessoas com carteiras de blockchain. Esse grupo fica ainda menor quando comparado ao alcance da NBA: mais de 1 bilhão de pessoas.

Mercado de jogos gerou US$ 150 milhões em receita em 2019

Esse público ajudou a gerar receitas de US$ 150 milhões no mercado de jogos no ano passado, dando mais uma ideia do potencial desse mercado. E, para quem trabalha no setor, os NFTs (Non Fungible Tokens) devem ser o carro-chefe desse movimento.

Mas o que são esses NFTs, ou Tokens Não Fungíveis? Eles são tokens com características especiais e que não são intercambiáveis entre si. Por exemplo: se alguém lhe empresta R$ 100, você não vai devolver a mesma nota, mas o valor das duas é o mesmo. Elas são, portanto, intercambiáveis (fungíveis). Mas quando se fala em um LP raro, por outro lado, talvez com um autógrafo do músico, ele não pode ser trocado por uma mera cópia daquele disco. Ou seja, ele não é intercambiável, o que o torna um bem não fungível.

Então a ideia é ir na contramão do que é habitual no ambiente virtual: em vez de algo que pode ser replicado várias vezes (e, consequentemente, sem grande valor), valorizar o que é único, uma espécie de item de colecionador. E, assim, cobrar a mais por itens raros que podem ter sua originalidade certificada.

Jogos blockchain atraem milhões

Uma das companhias apostando nisso é a Galaxy Interactive, um fundo de investimentos de US$ 235 milhões. A empresa acredita que os bens virtuais nos conferem status e definem nossa identidade da mesma forma que produtos “físicos” equivalentes. E que a tendência é que o valor que se dá aos itens do mundo on-line cai se igualar ao que é dado aos produtos criados fora dele. E, na avaliação de Sam Englebardt, cofundador da Galaxy Digital e chefe da divisão Interactive division, no campo das marcas, a adoção desta tecnologia se dará em jogos e na produção de conteúdo.

Esse sistema já foi usado pela Crypto Kitties. Embora 3 milhões de pessoas tenham tentado, só cerca de 100 mil conseguiram comprar os gatinhos virtuais oferecidos (muitas delas nunca haviam tido contato com criptomoedas). Agora, seus NFTs felinos podem se reproduzir entre si, e os donos têm a opção de venderem os “filhotes”.

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