Transfero inicia captação para seus novos fundos de investimento

Transfero inicia captação para seus novos fundos de investimento

Voltados a clientes institucionais e investidores profissionais, hedge funds crypto da Transfero buscam levantar US$ 100 milhões

Transfero inicia captação para seus novos fundos de investimento

Por Redação

A Transfero Swiss iniciou a captação de recursos para seus três recém-lançados fundos de investimento em criptomoedas. Voltados a clientes institucionais e investidores profissionais, os hedge funds crypto deverão estar abertos para captação até o fim do ano, com o objetivo de levantar um total de US$ 100 milhões em criptoativos de um número limitado de investidores.

Com esse movimento, a Transfero busca se posicionar dentro de um movimento cada vez mais forte em que gestoras de criptoativos estão migrando para um mercado regulado.

“Num futuro próximo, a tendência é que as gestoras de criptoativos passem a responder como gestoras tradicionais de ativos. E estamos indo em direção a isso junto com os players mais respeitados do mercado”, analisa o head de Investimentos da Transfero Swiss, Carlos Franco Russo.

Como ainda não há um reconhecimento dos criptoativos como um ativo financeiro no Brasil, a gestora escolheu as Bahamas para sediar seus hedge funds. O arquipélago colocou recentemente em consulta pública um projeto de lei chamado “DARE Bill”, sigla para Digital Assets and Registered Exchanges Bill.

O projeto regula a emissão e venda de tokens e dá diretrizes de conduta para quem atua nessa área e para os que proveem serviços intermediários com esses ativos, como os fundos. Dessa forma, os hedge funds já nascem totalmente em conformidade com a regulação nacional de criptoativos das Bahamas.

Os fundos terão, a princípio, menos de 100 clientes, dentro do contexto de clientes institucionais. Ou seja, investidores pessoa física de alta renda e patrimônio e investidores pessoa jurídica, como outros fundos e family offices.

Num segundo momento, contudo, a ideia é criar feeder funds, conhecidos no Brasil como fundo de fundos. Dentro dessa estratégia, está previsto o lançamento em 2020 de fundos que invistam em cotas desses três fundos. Dessa forma será possível ao investidor brasileiro de varejo acessar esses fundos.

Fundos de investimento
Fundos de investimento Transfero replicam estratégias de carteiras

O primeiro dos três hedge funds crypto é o Advanced. Por meio de critérios totalmente objetivos e quantitativos, ele lança mão de modelos matemáticos e estatísticos que identificam tendências para obter rendimento.

Essa estratégia busca identificar tendências de curto e longo prazo por meio de indicadores diversos e aplica testes estatísticos para validar as estratégias escolhidas. Além disso, os testes estatísticos são controlados para que se evite a construção de modelos enviesados pela escolha proposital de variáveis que só se adequam a modelos passados e não a modelos futuros.

Entre os fundos que operam bitcoin, o Advanced será um dos primeiros a usar robôs na operação. E a maior parte das estratégias rodará a partir desses algoritmos/modelos matemáticos.

O Advanced tem uma estratégia ativa de gestão. A taxa de performance só é cobrada do rendimento que ultrapassar o retorno do bitcoin no período. No entanto, se em termos reais (em dólares) o fundo tiver uma desvalorização, o investidor não é cobrado por performance até o fundo atingir uma nova alta histórica dos preços, conceito chamado de linha d’água.

Counter Cyclical
Counter Cyclical é um fundo de proteção

O segundo fundo é chamado de Counter Cyclical, um fundo passivo que investe 75% em ouro e 25% em bitcoin. Essa proporção é rebalanceada trimestralmente ou quando o fundo atinge um desbalanceamento acima do limite estabelecido. Esse fundo é destinado a quem quer investir em ativos chamados anti-cíclicos, ou seja, que não têm correlação com o mercado de ações.

“Dentro do que temos estudado nos últimos dez anos, uma combinação de bitcoin com ouro é melhor do que um investimento 100% em ouro. O risco do bitcoin se paga nessa combinação. Ou seja, ela é mais rentável e menos arriscada em relação a um portfólio 100% ouro”, mostra o executivo da Transfero.

O Counter Cyclical deve ganhar uma grande relevância num prazo relativamente curto devido às avaliações que já se fazem no mercado de que ocorrerá uma nova crise mundial de ativos. “Existe toda uma expectativa em relação a isso, sobretudo com os sinais que estão sendo dados pelas principais economias mundiais”, completa o executivo.

Conservative atua em arbitragem física e estratégias quantitativas

O terceiro fundo é o Conservative. De uma forma geral, ele replica a estratégia usada na carteira administrada já existente na Transfero, mas em dólar. Ou seja, ele vai atuar na arbitragem física de bitcoin entre diferentes exchanges e países. Ao mesmo tempo, ele pode alocar parte do capital em estratégias quantitativas. O objetivo final desse fundo é o retorno absoluto em dólar e não em real, como na carteira administrada.

Fundos de investimento Transfero
Fundos de investimento Transfero são diferenciados em relação aos existentes no Brasil

Os fundos de investimento Transfero se posicionam num patamar diferenciado em relação aos demais fundos brasileiros que operam em crypto. Por exemplo, o fundo Hashdex, do BTG Pactual, é um fundo passivo com um menor valor agregado em termos de geração de retorno além do que o mercado entrega. O mesmo ocorre com o BLP Crypto, da Genial Investimentos, um fundo token picking, ou seja, que seleciona tokens baseados na expectativa de valorização deles, numa estratégia totalmente subjetiva.

Os criptoativos a serem captados pelos três hedge funds são geridos e custodiados pela Transfero Swiss. O administrador dos fundos é a Leno e o auditor, HLB Galanis, instituição reconhecida internacionalmente nesse segmento.

Os hedge funds crypto terão 2% de taxa de administração e 20% de taxa de performance sobre o que superar os diferentes benchmarks estabelecidos para cada um.

“Estamos muito felizes em anunciar ao mercado esta novidade, que nada mais é do que um movimento natural dentro do que acreditamos, de os criptoativos serem uma nova classe de ativos com expectativas de retorno diferenciadas e sem correlação com os mercados de ações tradicionais. Esperamos que esse seja um primeiro passo rumo a uma maior institucionalização desse mercado”, completa Carlos Franco Russo.