Operando no Brasil desde junho de 2019, a FTX viu seus negócios crescerem exponencialmente no país depois da parceria com a Transfero Swiss e o BRZ, que possibilitou a usuários brasileiros transferirem reais diretamente das suas contas bancárias para a plataforma. A empresa tem hoje cerca de 1.000 clientes no Brasil e pretende continuar a crescer por aqui. 

“O mercado brasileiro é muito interessante, tem casos de usos reais de criptomoedas. Por outro lado, as exchanges locais cobram taxas absurdamente altas. Nós queremos justamente aproveitar essa oportunidade e oferecer uma plataforma simples e barata de se usar”, conta o Operations Manager da FTX, Tristan Yver, em entrevista exclusiva ao PanoramaCrypto.

Nos três meses e meio de parceria com o BRZ, a empresa já registrou a negociação de R$ 620 milhões somente com as mesas de OTC. Cerca de um terço dessas transações, ou seja, R$ 200 milhões, representam ao todo 10 mil operações, o que coloca o BRZ muito a frente das demais criptomoedas pareadas ao real.

Leia a entrevista na íntegra:

Como a FTX está vendo o mercado brasileiro após a parceria com o BRZ? 

O mercado brasileiro é muito interessante para nós. É um mercado com bastante atividade e com casos de usos reais das criptomoedas. Por outro lado, as exchanges locais ainda cobram taxas de saques muito altas, o que abre uma oportunidade de negócios. Nós queremos justamente ocupar esse espaço, cobrando taxas mais baixas do que as cobradas atualmente e permitindo tanto saques quanto depósitos em reais, tanto em fiat quanto com o BRZ.


Quais são os casos de uso no Brasil?

O Brasil é um mercado muito diverso, então existem diferentes casos de uso. Entre eles, o P2P, com pessoas mandando criptomoedas diretamente para as outras. Também tem o uso para especulação e de proteção contra risco monetário. Muitos brasileiros estão usando o bitcoin como uma proteção de longo prazo contra a inflação. E outros simplesmente estão criando uma posição e aumentando ela ao longo do tempo. Ao mesmo tempo, o bitcoin tem sido mais popular que o mercado de ações no Brasil. Há ainda empresas que estão usando para fazer ajustes de posições entre países, as que realizam transações em diferentes moedas e querem reduzir sua exposição cambial.

Quem são os clientes da FTX no Brasil e o que eles buscam? 

Os clientes no Brasil são os de varejo e os grandes traders, por exemplo as mesas de OTC, para os quais temos funcionalidades especiais. O brasileiro está buscando uma exchange barata e rápida para fazer transações. Além disso, empresas que têm risco cambial, por exemplo, que trabalham com exportação e importação também são clientes. Menciono também empresas de gestão de ativos e que buscam exposição ao dólar.

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Quantos clientes a FTX tem hoje no país?

Hoje temos um pouco mais de 1.000 clientes brasileiros operando com BRZ na FTX.

Quando a empresa começou a atuar no Brasil?

Atuamos no país desde junho de 2019. Mas no fim de maio de 2020, com a listagem do BRZ e a possibilidade de os clientes brasileiros transferirem recursos de suas contas bancárias diretamente para a plataforma, o mercado brasileiro ficou muito mais importante para nós. Tanto o número de clientes quanto o volume financeiro e de transações cresceram exponencialmente.

Qual o volume financeiro negociado hoje no país?

Desde o fim de maio, quando fechamos a parceria com a Transfero para que os clientes brasileiros possam operar em reais e BRZ na FTX, negociamos aproximadamente R$ 675 milhões. A maior parte vem de mesas de OTC, ao todo R$ 620 milhões. No livro de ofertas, foram negociados R$ 55 milhões nesses pouco mais de três meses. 

E qual o número de transações com BRZ na FTX?

Essa informação tem uma granularidade muito forte. Mas podemos dizer que um terço daquele volume de R$ 620 milhões do OTC representa cerca de 10 mil transações, ou seja, R$ 20 mil por transação. Se formos descer para o livro de ofertas, o volume de transações é muito maior, mas é difícil estimar esse dado. 


Qual é o volume financeiro negociado na plataforma como um todo?

Negociamos diariamente cerca de US$ 1 bilhão, é bastante significativo. 

Quais são os planos da FTX para o país e em geral?

Estamos trabalhando para tornar a plataforma mais fácil de usar e para mostrar, sobretudo para novos clientes, que é simples depositar e operar em reais na plataforma. Além disso, é importante destacar que temos taxa zero de saques, bem como taxas de maker zero. Ou seja, se alguém está fazendo trade de futuros e façam ordens limite, eles não pagam nenhuma taxa. E as taxas de taker são apenas 0,07%, o que é 10 vezes menor do que as exchanges brasileiras. Nós queremos sempre estar à frente do que está acontecendo na indústria, ofertando serviços melhores. E queremos continuar a ser uma alternativa fácil e barata para os brasileiros.

Recentemente, a FTX anunciou a compra da Blockfolio, o que podemos esperar dessa aquisição? 

A Blockfolio tem uma base de usuários incrível. Vamos oferecer a todos esses usuários uma nova plataforma de compra e venda, mas não posso revelar muito além disso.

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Um token pareado ao Real Brasileiro