Desde a manhã de 8 junho, o valor do bitcoin está em baixa. A queda, no momento em que essa matéria foi escrita, era da ordem de 12%. Uma das razões seria o fato de o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump ter criticado a moeda digital e a chamado de “golpe”.

“Não gosto do bitcoin por que é uma moeda que compete com o dólar. Quero que o dólar seja a moeda mundial”, disse Trump à Fox Business um dia antes, de acordo com o Tecnoblog. Mas, além do efeito do comentário do ex-presidente, a queda também reflete a expectativa de novas regulamentações nos Estados Unidos e a contínua repressão ao uso e ao comércio de moedas digitais na China.

Especula-se também que outro fato que pode ter motivado a redução de valor foi a venda de 69 mil BTCs  apreendidos em operações ilegais pelo US Marshal. Apesar disso, a moeda ainda está cotada acima do valor do ano passado – em dezembro de 2020, por exemplo, ela estava abaixo de US$ 20 mil.

Assim, para investidores, o cenário é de oportunidade. A MicroStrategy, por exemplo, acabou de anunciar sua intenção de emissão de títulos, com o objetivo de comprar mais bitcoin. De acordo com o CEO da empresa, Michael Saylor, essa é uma estratégia para proteger o capital da empresa da inflação. 

O que é bitcoin?

O bitcoin é uma criptomoeda criada em 2009, pela lendária figura de Satoshi Nakamoto, que meses antes divulgou um whitepaper (A Peer-to-Peer Electronic Cash System) descrevendo todo o seu funcionamento. O conceito criado por ele (peer-to-peer, ou P2P) significa que as transações financeiras são feitas sem intermediários, como instituições bancárias.

Alguns projetos de moeda digital descentralizada precederam o bitcoin, mas ela foi a primeira a ser, de fato, utilizada. 

Como comprar bitcoin?

Por ser a principal criptomoeda do mercado, é possível comprar o bitcoin em praticamente todas as corretoras, tanto com dinheiro fiduciário quanto com outras criptomoedas.

Qual é a cotação do bitcoin hoje?

Veja o gráfico da última semana com o preço do bitcoin:

Como investir em bitcoin no Brasil?

Para investir, é necessário ter uma carteira aberta em uma exchange. Nelas, é possível adquirir qualquer valor, ou seja, não é preciso comprar 1 bitcoin, frações da moeda também são permitidas. A menor fração de 1 bitcoin é 1 satoshi, equivalente a 0,000000001.

É possível comprar em real, via transferência bancária, cartão de crédito ou débito, ou utilizando outra criptomoeda, como o BRZ. 

Outra possibilidade de investir em bitcoin é por meio de fundos de investimento. Existem três tipos deles que permitem investir em criptomoedas: fundos de hedge, de venture capital e de private equity. O Crypto Fund Research contabiliza 804 fundos de investimento em criptomoedas. Desses, 53% são de venture capital, 44% de hedge e 3% de private equity.

No Brasil, as maiores gestoras de fundos de investimentos de criptomoedas são a Transfero (que oferece fundos com gestão ativa, combinados com ouro), a Hashdex e a BLP. 

Como minerar bitcoin?

O termo mineração vem de extração – e é exatamente isso que ocorre com o bitcoin, já que cada bloco é literalmente extraído de ambientes virtuais. Os mineradores são, na verdade, computadores responsáveis por verificar, transmitir e registrar as transações no blockchain. 

A validação do registro depende da resolução de cálculos disponibilizados pelas redes, como um enigma. Após sua resolução, um novo bloco de transações é adicionado ao blockchain. Esse processo de mineração do bitcoin tem como objetivo manter a integridade e a segurança das movimentações, pois é ela que valida as transações e as registra no blockchain.

É praticamente impossível lucrar com a mineração na rede bitcoin pelo poder de processamento de um computador pessoal e de poucas placas de vídeo, pois a mineração foi projetada para ser um processo difícil – e a dificuldade só aumenta.

Assim, é preciso ter um poder computacional maior para investir na mineração. Hoje, já existem equipamentos específicos para mineração, que tornam praticamente impossível minerar de outra forma.

Como funciona o bitcoin?

O fornecimento total do bitcoin é limitado por seu software e nunca irá ultrapassar 21 milhões de moedas. Essa característica de escassez é o que garante a sua valorização. 

Além disso, a cada quatro anos (em média) o bitcoin passa pelo halving, evento em que a recompensa por mineração é cortada pela metade. Quando isso acontece, o impacto é positivo para a valorização da moeda. 

Como investir em bitcoin passo a passo?

  • crie uma carteira virtual em uma exchange. Ela funciona como uma conta bancária e viabiliza todas as transações de compra, venda e armazenamento;
  • será necessário confirmar alguns dados pessoais, criar um login e uma chave de autenticação (sistema de dupla checagem), que garante a segurança; 
  • transfira o valor em real que pretende investir (ou, dependendo da corretora, em outro criptoativo) para a sua carteira
  • acompanhe a cotação da moeda para escolher o melhor momento para comprar.

Como é feita a cotação do bitcoin?

Muito semelhante à formação de preço de uma commodity, a cotação do bitcoin sobe ou cai de acordo com a demanda vendedora e a demanda compradora.

Existem diversos fatores que podem fazer com que o preço do bitcoin suba. Por exemplo, adoção institucional, hype, escassez da oferta e perda de confiança das moedas fiduciárias (inflação). Isso faz com que mais pessoas procurem os criptoativos, fazendo com o que o seu preço suba. Por outro lado, uma regulação restritiva pode fazer o preço cair.

E onde é definida a cotação do bitcoin? Nas exchanges, onde ele é comprado e vendido. O preço do bitcoin é, assim, o último valor negociado. E não há limites de dias e horários para negociação de criptoativos. Ou seja, há cotações atualizadas a todo momento, 24 horas por dia, sete dias por semana.

Como acompanhar a cotação do bitcoin?

Na prática, não há um preço único do bitcoin. O preço apresentado em alguns serviços, como o Coinmarketcap é uma média ponderada do preço nas principais exchanges do mercado. Assim, pode haver pequenas diferenças de preços entre exchanges, o que inclusive permite que se arbitre preços entre elas.

Existem serviços como o Coin Trade Monitor que mostram quais são essas oportunidades de arbitragem, além de robôs que também fazem esse trabalho. De posse desses dados, alguém pode comprar criptomoedas em uma exchange e vendê-la mais caro em outra, obtendo lucro.

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