O preços do bitcoin e do ouro estão se movimentando de forma ainda mais semelhante após a crise do coronavírus, segundo análise da Coin Metrics. Na avaliação publicada no início de abril, a empresa de pesquisa identificou que o índice que mede a correlação entre o ouro e o bitcoin passou pela primeira vez de 0,6 – 1 seria o nível máximo de correlação entre os dois ativos.

O relatório da Coin Metrics mostra que anteriormente a correlação entre o ouro e o bitcoin quase nunca passava de 0,5. Com a crise do coronavírus, ela bateu recorde.  O texto observa que, embora ambos os ativos tenham sofrido no início da crise, “desde então, tanto o bitcoin quanto o ouro recuperaram suas perdas”.

O ouro é visto historicamente como um ativo não correlacionado com o mercado. O aumento da correlação entre o ouro e o bitcoin em abril mostra que o bitcoin também tem se mostrado um ativo não correlacionado. Esse seria mais um argumento favorável aos que defendem o bitcoin como ativo de proteção.  O próprio relatório destaca isso.

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Correlação entre ouro e bitcoin reforça tese de ativos de refúgio

De acordo com o documento, “uma análise mais detalhada do Bitcoin e do ouro fornece algumas evidências de que a narrativa [BTC como um ativo refúgio] está intacta e poderia ser mais forte do que nunca”.

O comportamento recente parece apoiar a análise da Coin Metrics em relação ao período mais grave da crise até aqui. A empresa considerou que a queda do BTC foi impulsionada mais pelo pânico dos especuladores do que pelos investidores de longo prazo.

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Counter Cyclical apoia visão de ativos de proteção

A Transfero também tem essa visão. Ativos anticíclicos e historicamente não correlacionados com o mercado de ações, como o ouro e o bitcoin, deverão ser as principais alternativas de investimento e reserva de valor no longo prazo, aponta o head of Global Distribution da Transfero Swiss AG, Conrado Sandim. Em sua opinião, esses ativos funcionarão como um hedge natural contra as medidas inflacionárias tomadas pelos bancos centrais para estimular o crescimento econômico.

Diante desse cenário, a Transfero lançou no fim de 2019 um fundo que tem seu patrimônio 75% atrelado ao ouro e 25% a uma cesta de criptoativos. Chamado de TSAG Counter Cyclical, o fundo replica o desempenho desses ativos no mercado, funcionando como uma reserva de valor contra inflação e crises sistêmicas, com alto potencial de valorização no longo prazo.