Por trás das operações de criptoativos está a custódia desses tokens. Cada tipo apresenta vantagens e desvantagens, com alguns deles sendo mais adequados a certos tipos de investidores. Entenda melhor o que são e quais os pontos positivos e negativos dos principais tipos de custódia de criptoativos.

Por que a custódia de criptoativos é necessária?

Para que se faça uma operação com criptoativos, o investidor precisa de uma chave particular. Contudo, para dar mais segurança aos recursos — muitas vezes vultosos —, as chaves são combinações longas e aleatórias de letras e números. Ou seja, são praticamente impossíveis de memorizar.

Portanto, torna-se necessário pensar na custódia dessa informação. Isso porque a perda do código ou seu roubo por hackers significa perder também o acesso aos ativos digitais.

Autocustódia

Na autocustódia, ou self custody, o próprio investidor fica responsável por salvaguardar a chave da maneira que achar melhor. Em geral, a pessoa anota o código em papel ou usa um ledger, que é uma espécie de pen drive, explica Julian Lanzadera, head of Business Development Latam da Transfero Swiss.

A tarefa, porém, não é fácil. Afinal, é preciso levar muitas coisas em consideração na hora de escolher como guardar essa informação, observa Lanzadera.

“É uma opção arriscada para uma pessoa sem costume com essa área, porque envolve um risco de segurança. Imagina se o local onde a chave está pega fogo. Além disso, essa chave não pode ser guardada on-line, porque há risco de hackeamento. Também é necessário um backup, mas não pode haver foto dos números”, acrescenta.

Como ponto positivo, o executivo cita uma máxima do mercado: not your key, not your token. Em outras palavras, se o investidor não tem a chave, também não é dono do token. Desse modo, a autocustódia permitiria um maior controle sobre os ativos.

“A pessoa pode também pode optar por outros recursos, como uma trust wallet ou edge, mas não é self custody, porque a chave não está 100% com você”, ressalva o executivo.

Custódia em exchanges

Há também a custódia em exchanges, uma “consequência de você deixar seus tokens na plataforma para serem negociados”, explica Lanzadera. De acordo com o executivo da Transfero, essa pode ser uma boa opção para quem movimenta bastante os ativos.

“Se o investidor movimenta bastante os tokens e negocia com frequência, é difícil fazer self custody, porque precisa fazer vários processos. Então, é mais interessante deixar os ativos na própria exchange, já que há a expectativa de negócio no curto prazo”, diz Lanzadera.

Ele volta, no entanto, à máxima de “not your key, not your token” para lembrar que há risco de a empresa ser alvo de hackers. “Nesse caso, se ela não tiver patrimônio para cobrir os ativos, o investidor pode sofrer prejuízo”, alerta.

Custodiante qualificado

Este tipo de empresa oferece serviços específicos para a custódia de ativos. Segundo um relatório da KPMG, a definição formal e as exigências a um custodiante qualificado ainda estão evoluindo. Mas, em geral, eles são bancos ou trusts submetidos a uma autoridade regulatória.

“São empresas que investiram em tecnologia proprietária ou licenciaram tecnologia de terceiros para armazenamento de crypto. Esse armazenamento pode ser on-line, em hot wallets, ou off-line, nas cold wallets, ou seja, quando você tira aquela informação do sistema da internet”, afirma Lanzadera.

Portanto, elas oferecem uma vantagem em relação às exchanges porque têm como foco a custódia de criptoativos, enquanto a atividade-fim das exchanges é “promover um ambiente user friendly e com ferramentas para trading interessante e ativos interessantes para os investidores”. “Além disso, os custodiantes geralmente têm seguros — coisa que a maioria das exchanges não tem”, acrescenta.

Melhor tipo de custódia de criptoativos depende de perfil

Lanzadera conclui que a escolha do tipo de custódia de criptoativos deve considerar a pretensão e as características do investidor. “Se ele quer comprar aquele ativo e ter no patrimônio para olhar dali a três anos, não faz sentido deixar na exchange. Então, se não quiser negociar em algumas semanas ou meses, faz sentido optar pelo custodiante”, diz.

“Mas, se além da visão de longo prazo ele também tem facilidade com tecnologia ou interesse em fazer a própria custódia, essa é uma opção. Nesse caso, ele não corre risco de crédito nenhum, porque ele está com o ativo dele. Mas aí surge outra preocupação, a de segurança. Existe sempre um sistema de peso e contrapeso. Com a self custody, você elimina o risco de crédito, mas tem o de segurança, que pode ser maior que o anterior”.

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