Michael Saylor, como muitos jovens de sua época, queria ser astronauta. Mas a vida se encarregou de mudar seus planos e, hoje, a MicroStrategy, empresa que ele fundou em 1989 tem valor de mercado de quase US$ 2,8 bilhões. Além disso, ele mantém uma organização que tem como objetivo garantir acesso gratuito à educação.

Saylor nasceu em 1965 e, como o pai era da Força Aérea americana, a família se mudou de uma base aérea para outra durante anos. Também foi graças à Força Aérea que ele conseguiu uma bolsa para estudar no famoso MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

Lá, ele obteve diploma tanto em aeronáutica e astronáutica quanto em ciência, tecnologia e sociedade. Nessa época, ele também aprendeu a pilotar aviões e se interessou pelo uso de simulações de computador em políticas públicas e estratégias de negócios.

Fim da Guerra fria afetou planos de Michael Saylor

Foi então que a vida começou a mudar a trajetória de Saylor. Em entrevista no SALT Talks, ele contou que, no último ano de MIT, houve dois reveses. Com o fim da Guerra Fria, os EUA diminuíram seus investimentos nas Forças Armadas. Além disso, ele foi diagnosticado erroneamente como tendo um problema cardíaco, o que foi a pá de cal de seu sonho de pilotar jatos e se tornar um astronauta.

Então ele entrou para o mundo dos negócios. Inicialmente como funcionário. Seu primeiro emprego deu errado, e ele cogitou voltar à faculdade para obter um PhD. Contudo, quando estava prestes a retornar à academia, surgiu em seu novo emprego a oportunidade de criar uma empresa própria. Segundo ele, seus chefes “financiaram tudo”.

Desse modo, ele decidiu que começaria o negócio e, quando este desse errado, ele retomaria o plano do PhD, o que nunca aconteceu. “Foi assim que acabei na área de softwares, não foi um feito meu, eu realmente queria ser um astronauta”, resume.

Foi assim que, aos 24 anos, ele fundou a MicroStrategy. A empresa começou nos negócios apostando em novas soluções de inteligência de negócios. Hoje, além disso, ela oferece soluções com software móvel e serviços baseados na nuvem.

MicroStrategy

Livro se tornou best seller

As inovações do universo móvel, ou mobile, já chamavam a atenção de Michael Saylor em 2012, quando ele publicou seu livro. “The Mobile Wave: How Mobile Intelligence Will Change Everything” logo foi parar na lista dos mais vendidos do New York Times.

Por trás do livro estava a ideia de que as redes de software estavam desmaterializando tudo no mundo. E cita, por exemplo, o dinheiro, as fotos e os vídeos e mesmo as câmeras e gravadores. “Se o software desmaterializa tudo, então eu posso pegar um mapa e transformá-lo em um mapa mágico. E o Google Maps é um mapa mágico, ele te diz onde ir, como ir, as indicações de onde ir, está na sua palma da sua mão e até fala com você”.

Ele compara, ainda, a desmaterialização das câmeras fotográficas com a emergência não só dos smartphones, mas, principalmente das redes sociais e ressaltou como as novas empresas valem bem mais do que as tradicionais que elas afetaram, como a Kodak. Assim, comprou ações de Apple, Amazon e Facebook e foi muito questionado. Mas os US$ 15 milhões de seu próprio dinheiro que investiu nessas empresas viraram US$ 500 milhões.

US$ 1 bilhão em bitcoins

Mas se ele demorou pouco a apostar nas gigantes da tecnologia, com o bitcoin esse processo foi um pouco mais lento. Hoje talvez um dos maiores defensores da criptomoeda, ele era cético quando do surgimento do bitcoin, que ele chegou a chamar de “aposta on-line” em um tweet.

Porém, quando o bitcoin sobreviveu às questões iniciais — como de tributação e uma possível proibição pelo governo — e ao teste do tempo, Michael Saylor reviu sua posição. Hoje, ele vê o bitcoin como uma forma de democratizar o acesso a recursos e à proteção dos bens, especialmente em países com problemas cambiais. Com essa nova visão, a MicroStrategy anunciou a compra de mais de US$ 1 bilhão em bitcoins ao todo ao longo de 2020, segundo a Bloomberg.

Acesso gratuito à educação

De sua temporada do MIT, o executivo levou ainda outro aprendizado: o de que a educação de qualidade custa bem mais do que as pessoas são capazes de pagar. Segundo ele, as economias que a família juntou ao longo de anos não pagariam mais do que quatro semanas do curso. Além disso, aponta que na Matemática, por exemplo, boa parte dos conceitos já é de domínio público, então questiona por que é necessário que a família invista tanto dinheiro em educação.

“Se você realmente quer resolver os problemas do mundo, você precisa de pessoas com títulos de mestrado e PHD. E você precisa ensinar as pessoas a curar o câncer e como criar propulsores de foguetes. Isso não vai acontecer sem a educação se tornar muito mais barata”, explicou no SALT Talks.

Ele decidiu, então, oferecer educação sem custo nas áreas de ciência, matemática e engenharia. Assim nasceu a Saylor Academy. Só no terceiro trimestre de 2020, a organização matriculou 8 mil alunos.

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