Os casos de uso das stablecoins diferem bastante entre si dependendo da região do mundo. Essa foi uma das conclusões dos participantes do painel Stablecoins and Settlement no segundo dia do Ethereum.Rio, realizado no Museu do Amanhã, na cidade do Rio de Janeiro.

“No Brasil, o BRZ, pareado ao real, está trazendo uma perspectiva de finanças internacionais, uma vez que o real brasileiro não é uma moeda internacional. Com o BRZ, as pessoas podem manter saldos em reais em exchanges internacionais, como por exemplo na FTX, obtendo acesso ao mercado global de criptoativos. Além disso, estrangeiros podem também manter saldos em reais em plataformas brasileiras ou estrangeiras”, pontuou o CEO da Transfero, Thiago Cesar.

Thiago reforçou que as stablecoins no Brasil não competem com o sistema bancário local, mas se beneficiam dele. “O sistema bancário brasileiro é muito eficiente, existe transferência instantânea faz muito tempo e esse contexto é perfeito para que os brasileiros possam acessar as stablecoins e o mercado de cripto em geral”, conta.

Argentina e Venezuela têm casos de uso específicos para stablecoins

Já nos demais países da América Latina, os casos de uso das stablecoins são bem diferentes. Na Venezuela e Argentina, por exemplo, as stablecoins já fazem parte do dia a dia das pessoas, devido às características monetárias nesses países, como a inflação e o controle de capitais. “Na Venezuela já há pessoas recebendo salários em stablecoins, sobretudo em USDT, pareado ao dólar”, explica Luiz Lozada, Business Developer na Maker DAO.

Já na Europa, o cenário é outro. O euro é uma moeda bastante internacionalizada e os cidadãos europeus não têm grandes preocupações com a inflação. Por isso, as discussões sobre stablecoins estão concentradas nas CBDCs, sigla para moedas digitais emitidas por bancos centrais, em tradução livre. “As pessoas na Europa estão se preparando para não usarem mais dinheiro físico”, relatou Agne Linge, da exchange descentralizada Degate.

Agne acrescentou ainda que as stablecoins estão sendo utilizadas para acessar plataformas de Yield Farming, com o objetivo de obter renda passiva.

Casos de usos futuros das stablecoins também diferem

Os caminhos futuros que as stablecoins deverão percorrer também são distintos, dependendo da região. Um deles deverá ser o uso para o mercado de comércio exterior. “Hoje essa movimentação ainda depende de muitos intermediários, o que aumenta o custo das operações. As stablecoins num futuro próximo podem provocar essa desintermediação, tornando operações de exportação e importação mais eficientes”, avalia Thiago.

Para Luiz Lozada, da Maker DAO, num futuro próximo as pessoas poderão pegar empréstimos sub colateralizados em stablecoins para comprar o que desejarem. “Vejo esse cenário acontecendo sobretudo na Venezuela e Argentina, já que os criptoativos já estão fazendo parte do dia a dia dos cidadãos desses países”, pontuou.

A Transfero foi uma das patrocinadoras do Ethereum.Rio

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