O número de brasileiros que fazem investimentos em cripto é maior do que o percentual registrado na França ou no Reino Unido, de acordo com um relatório recém-divulgado pelo Centro de Estudos em Finanças (FGVcef) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas. 

Segundo o estudo “Risco relevante para o investidor brasileiro, francês e inglês”, 14,5% dos brasileiros entrevistados afirmaram investir em criptoativos. Isso é quase cinco vezes mais do que o observado entre os investidores franceses (3%) e nove vezes maior do que no caso dos ingleses (1,5%).

Brasileiros preferem investimentos de curto prazo

Vale destacar que o levantamento foi feito em novembro de 2021, quando o cenário do mercado de criptoativos era diferente do atual. Na ocasião, a FGV conversou com 595 indivíduos, sendo 200 do Brasil, 198 na França e 197 no Reino Unido.

Uma das conclusões do estudo é que o interesse dos brasileiros por criptoativos indica foco no curto prazo e busca por opções de investimento que prometem alta rentabilidade. “Nosso principal objetivo com este estudo foi avaliar o medo do investir. No Brasil, nós temos muito medo de risco de liquidez e da falência da instituição financeira”, disse William Eid, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV EAESP e um dos autores do relatório, ao e-Investidor

“Ao mesmo tempo, a preferência por cripto vem da falta de paciência para investir o dinheiro e deixar 15 anos em algum lugar. O brasileiro quer que o dinheiro se multiplique rapidamente”, acrescentou Eid.

De acordo com o relatório, 76% dos investidores brasileiros têm foco no curto e médio prazo, enquanto apenas 24% projetam seus rendimentos em um horizonte de tempo maior. Na Inglaterra, a proporção fica em 64,5% no curto e médio prazo e 35,5% no longo prazo, enquanto na França a proporção fica em 45,5% e 54,5%, respectivamente.

Em relação à decisão de investimento, os brasileiros consideram menos o risco (22%) do que os franceses (26,8%) e os ingleses (36%). Além disso, os investidores do Brasil olham mais para a rentabilidade passada (19%), de até um mês atrás. 

Poupança tradicional ainda é relevante para 37,5% dos brasileiros

Mas, como o Brasil é um país de contrastes, ao mesmo tempo em que boa parte dos investidores opta por criptoativos, em busca de rentabilidade no curto prazo, o investimento que ainda permanece sendo o preferido da população é a poupança tradicional (37,5%), além de títulos públicos e renda fixa no geral (21%).

Outros investimentos declarados pelos brasileiros entrevistados foram renda variável tradicional (16,1%), o que inclui bolsa de valores, fundos de investimento e outros ativos de risco. Neste quesito, os franceses registraram um percentual de apenas 12,6%. Já os ingleses apresentam maior interesse por equities (17,5%).

 

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