Com os avanços do DeFi (finanças descentralizadas) e da digitalização de vários processos do dia a dia, uma espécie de nova era da economia se aproxima. Para Sven Wagenknecht, editor-chefe do BTC Echo, o verdadeiro boom da adoção dessas tecnologias na economia, com usos realísticos, vai acontecer até 2025. Contudo, é difícil prever hoje como será exatamente este cenário. A afirmação foi feita durante a participação de Wagenknecht no CriptoValley Festival 2020.

A respeito da tokenização, ele destacou que os tokens podem conter diversos tipos de ativos. “Você pode colocar tudo que é digital nesses tokens, como em um container. Podem ser títulos, os direitos para usar um arquivo de impressão 3D, ou o euro digital, do BCE (Banco Central Europeu) ou do Facebook (em referência à Libra que a rede social quer criar)”.

Ele lembrou que todos os grandes bancos centrais têm planos para tokenizar as moedas nacionais. E citou a China como um país na liderança deste movimento.

Maior controle impulsiona avanço da economia digital

Esse avanço em direção ao dinheiro virtual é impulsionado, na visão do editor do BTC Echo por dois fatores: controle do governo e avanço das tecnologias no dia a dia em geral.

“Um (dos fatores) é ter mais controle sobre as transações financeiras. E todo Estado quer ter controle”, disse.  Quanto ao segundo fator afirmou: “Vivemos em um mundo digital. Em um mundo ou economia digital, dinheiro digital fica cada vez mais importante. Máquinas autônomas ficando mais importantes, máquinas fazendo negócios. Temos softwares de inteligência artificial fazendo negócios. Enquanto isso, os humanos estão ficando menos importantes nas transações, e não só nas transações de informações, mas também nas de valores”.

Carros com carteira digital

Entre esses avanços, ele cita, por exemplo, a aposta de fabricantes de veículos em blockchain e carteiras digitais. Uma delas é a alemã Daimler, dona da Mercedes-Benz, que formou uma parceria em 2019 para desenvolver uma carteira digital baseada em blockchain. A ideia é usá-la para pagar, por exemplo, o estacionamento sem precisar pegar a carteira real no bolso.

“No fim das contas, todos teremos que viver com token. Não importa se você gosta de bitcoin ou blockchain, porque todos vamos usar token ou infraestrutura de token nesta década e teremos uma carteira (digital), quer você queira ou não, porque é uma questão de um novo padrão”.

Na avaliação do especialista, o avanço da economia digital, especialmente das criptomoedas, não é uma questão de tecnologia, mas sim de regulação. Ou seja, se aquelas operações terão o sinal verde das autoridades. Ele lembrou que Christine Lagarde, por exemplo, presidente do BCE, já disse que não permitirá moedas “privadas” a concorrer com as moedas nacionais. Portanto, será necessário buscar acordos, fazer concessões.

Mas lembra que os desafios são interessantes já que governos não podem destruir nem o bitcoin nem o blockchain. “É uma tecnologia. Não há estado que possa destruir o bitcoin. Ele pode dizer que não se pode usar o bitcoin. Mas não tem o poder de destruir o bitcoin, por exemplo.”

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