O mercado de arte global atingiu em 2018 o segundo nível mais alto em 10 anos. De acordo com o The Art Market 2019, produzido pela Art Basel e pela UBS, no último ano, o setor cresceu 6%, atingindo US$ 67,4 bilhões. As vendas no mercado de arte foram impulsionadas, em parte, pelas vendas realizadas online e por meio da tecnologia blockchain.

A blockchain e suas possíveis aplicações no mercado de arte dominaram muitos fóruns públicos em 2018. Os principais debates foram à respeito do uso da tecnologia para registro de títulos, o uso de criptomoedas na comercialização de obras de arte, a tokenização e uso de smart contracts por artistas.

No que se refere ao uso de criptomoedas na compra e venda de obras de arte, arte digital e colecionáveis, a plataforma de leilões Live Auctioneers vendeu cripto-arte e teve um vencedor pagando em criptomoeda. A plataforma também facilitou pagamentos em crypto e desburocratizou o processo.

Com relação à tokenização, foi possível oferecer frações de obras de arte a investidores que não teriam condições de comprar uma obra de arte completa. A Mecenas, uma blockchain lançada no final de 2017, emitiu 6 milhões de tokens ART relativos a uma obra de Andy Warhol em julho de 2018, no valor total de US$ 6,5 milhões para uma participação de 49%.

A capacidade da blockchain para reduzir custos de transação atraiu investidores para esse mercado. No entanto, o crescimento foi pequeno, uma vez que plataformas como a Mecenas cobram taxas entre 2% e 6%. Outra barreira é a falta de demanda.

Blockchain
Plataformas blockchain no mercado de arte

Ainda asim, algumas plataformas avançaram na aplicação da blockchain na venda de obras de arte. A plataforma Artory lançou em 2018 um registro de obras de arte na blockchain. A empresa também está lançando um serviço de triagem de riscos relativos às operaões. A Veisart também está usando a blockchain para montar um registro de artes e colecionáveis, de forma a garantir a autenticidade das obras.

Apesar dos benefícios do uso da blockchain no mercado de artes, ainda permanecem algumas preocupações. Por exemplo, inconsistências e registros difíceis de serem apagados. Algumas plataformas como a Veisart e a Codex não tem uma pré-verificação da informação que é colocada na blockchain. Por isso, informações erradas podem ser um problema.

Outra dificuldade é ligar a obra de arte física a seu registro na blockhain. Sendo assim, ainda é possível ligar uma obra de arte falsa ao registro ou omitir informações sobre o seu estado. Algumas companhias, contudo, já estão trabalhando em estratégias para resolver isso.

mercado de arte blockchain
Vendas online de obras de arte atingem recorde

A venda online de obras de arte atingiu um novo recorde em 2018, estimado em US$ 6 bilhões em 2018. O montante representa um aumento de 11% em relação ao ano anterior. Além disso, corresponde a 9% do valor das vendas globais.

As transações online ganharam ritmo nas principais casas de leilão no último ano, enquanto as casas que vendem em segunda mão relataram fazer 19% de suas vendas anuais on-line, com 74% por meio de plataformas de terceiros. Os revendedores também informaram que 6% de suas vendas totais foram por plataformas on-line em 2018.

Desse percentual, mais da metade é referente a novos compradores, o que significa um aumento de 7% em 2018. Com base em uma pesquisa com cinco mercados nacionais em 2018, 93% colecionadores millenials de alto patrimônio líquido (HNW) informaram que haviam comprado obras de arte ou objetos de uma plataforma on-line. Por outro lado, a maioria das pessoas que fazem parte da geração de baby boomers revelou nunca ter comprado arte on-line antes.

O relatório apontou ainda que os Estados Unidos vem ampliando sua posição como o maior mercado de artes. Além disso, o Reino Unido está recuperando seu lugar como o segundo maior mercado, à frente da China. Vendas no setor revendedor aumentaram, impulsionado por ganhos na ponta e marcado por uma maior consolidação.