Se antes o bitcoin parecia se restringir a investidores e a empresas do universo crypto, agora ele está cada vez mais presente em instituições mais “tradicionais”. Após o anúncio da Tesla, a prefeitura de Miami informou que o bitcoin poderá ser usado em transações ligadas ao serviço público. O movimento, contudo, não se restringe à cidade americana. E, para Safiri Felix, diretor de Produtos e Parcerias da Transfero, demonstra a maturidade do mercado e deve se intensificar.

No começo de fevereiro, a Tesla enviou um documento à SEC (autoridade de valores mobiliários dos EUA) informando a compra de US$ 1,5 bilhão. A decisão veio pouco tempo depois de o fundador da MicroStrategy, Michael Saylor, defender que a empresa de Elon Musk transformasse parte de seu balanço em criptomoedas. Na ocasião, especialistas apontaram para a expectativa de que a medida estimulasse outras companhias de fora do setor crypto a aderir ao bitcoin.

E isso parece estar se tornando realidade. Em 11 de fevereiro, Francis Suarez, prefeito de Miami, anunciou, no Twitter, uma proposta para usar o bitcoin para diferentes fins na cidade, aprovada nesta segunda-feira pelos comissários da cidade. Em vídeo, o prefeito explica que a ideia é permitir que os funcionários da prefeitura possam escolher receber o salário integral ou parte dele em bitcoin. Além disso, quer tornar possível o pagamento de impostos e taxas com a criptomoeda. Uma comissão da cidade aprovou a resolução, mas com a previsão de estudar sua praticidade.

Prefeitura quer também investir em bitcoin

De acordo com a Bloomberg, a ideia original era já pôr o plano em prática assim que houvesse a aprovação da proposta. O prefeito também quer que a cidade considere a possibilidade de investir parte dos fundos do governo em bitcoins. Isso, contudo, pode esbarrar nas restrições que a Flórida — estado onde fica Miami — impõe a investimentos em instrumentos voláteis.

“A entrada crescente de empresas é uma mostra inequívoca da maturidade do mercado e do contexto macro, global”, avalia Felix. Na opinião do executivo, esse contexto “faz com que empresas tenham que buscar alternativas para proteger o caixa contra uma eventual espiral inflacionária”.

Ele também acredita que o movimento tende a se intensificar ao longo do tempo. Ele aponta Tesla e MicroStrategy como pioneiras dessa migração. “Sem dúvidas, elas têm um perfil um pouco mais arrojado porque elas puxam essa fila. Mas a perspectiva é de que, em muito pouco tempo, isso se torne algo habitual na decisão das empresas”.

Felix lembra que pelo menos cinco outras empresas que fazem parte do Fortune 500 (índice das 500 maiores empresas americanas listadas em Bolsa) que já estão habilitadas a operar no mercado de criptoativos. “Então, é uma questão de tempo até termos novas adesões de empresas de capital aberto alocando parte de seu caixa em bitcoin”, conclui.

cartao de credito
Banco e cartão de crédito “tradicionais” embarcam na onda crypto

Outra localidade que abraçou o bitcoin foi o Cantão de Zug, na Suíça, lar do Crypto Valley, um polo de empresas do setor crypto. Enquanto a prefeitura de Zug (capital do cantão) já aceitava o bitcoin no pagamento de impostos desde 2016, o cantão só adotou a criptomoeda para este fim em fevereiro de 2021.

Agora, será possível fazer esses pagamentos em bitcoin ou Ether. Para isso, o cidadão deverá scannear um QR Code e usar sua carteira digital de preferência. De acordo com o The Block Crypto, o pagamento com as criptomoedas se limita a despesas de 100 mil francos suíços.

Outra empresa financeira tradicional a demonstrar apoio ao bitcoin foi a provedora de cartão de crédito Mastercard. Em 10 de fevereiro, ela informou que sua rede passará a oferecer suporte para pagamentos em algumas criptomoedas. Em nota, a empresa disse que “o fato é que esses ativos digitais estão se tornando uma parte mais importante do mundo de pagamentos”.

A Mastercard não é, entretanto, a única empresa de cartões de crédito a oferecer tal suporte. No fim de janeiro, a Visa anunciou o projeto Visa Crypto APIs para que bancos possam oferecer serviços com bitcoin e outros criptoativos. A empresa também tem interesse em adicionar criptomoedas à sua rede de pagamentos, conforme informou seu CEO, Alfred Kelly, no início de fevereiro. Em dezembro, a Visa firmou uma parceria com a stablecoin USDC.

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