O real digital, moeda que está sendo implementada pelo Banco Central brasileiro, foi tema de um webinar que abordou as novas tecnologias, como contratos inteligentes (smart contracts), blockchain e soluções de segurança. De acordo com o BC, as CBDCs (moedas digitais emitidas por bancos centrais) são diferentes de moedas privadas, com regras distintas.

No entanto, a tecnologia é um ponto de convergência entre as CBDCs e as stablecoins, que são criptomoedas estáveis, garantidas por algum tipo de lastro – no caso do BRZ, essa garantia são recursos mantidos em contas correntes, títulos públicos e criptoativos.

Assim, embora o real digital seja uma representação da moeda fiduciária nacional, com todas as características do papel-moeda, várias tecnologias do universo crypto garantem sua eficiência e segurança. “O dinheiro digital precisa evoluir”, disse o professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Robert Townsend.

Real brasileiro pode coexistir com stablecoins privadas

Para Townsend, que está envolvido com o projeto do dólar digital, a tecnologia de smart contracts permitirá que o real digital brasileiro se torne uma plataforma aberta de integração entre o Banco Central e a economia digital.

“Ferramentas como NFts, DeFi e contratos inteligentes criarão uma nova economia digital”, disse ele, no primeiro webinar de uma série que será realizada pelo Banco Central no segundo semestre de 2021, com o objetivo de discutir a criação e implantação da moeda digital nacional.

Para o especialista do MIT, o papel dos bancos públicos é garantir o bem-estar da sociedade, promovendo segurança aos sistemas monetários. Porém, moedas privadas, como stablecoins, podem coexistir com o dinheiro fiduciário – a depender da regulamentação a ser criada. Em sua avaliação, a CBDC nacional pode se tornar uma plataforma aberta de integração entre o Banco Central e a economia digital, com a criação de contratos inteligentes.

Segundo ele, de acordo com a tecnologia utilizada, o BC pode integrar o real digital com stablecoins privadas, como o BRZ, com aplicações conectadas. “A plataforma seria do Banco Central, mas o setor privado poderia construir aplicações integradas a ela, por meio de contratos inteligentes”, explicou.

Sistemas se complementam para reduzir fricções da moeda tradicional

“O real digital continuará tendo controle, regras e funcionamento do sistema de pagamentos convencional, sob supervisão do BC”, analisou o professor da Escola de Negócios da Fundação Getúlio Vargas, Eduardo Diniz. “Sua lógica é a mesma do dinheiro fiduciário”.

Para o diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do BC, João Manoel Pinho de Mello, o real digital não substituirá outros meios de pagamento, mas será uma alternativa digital complementar para cobrir lacunas e superar fricções da moeda tradicional, proporcionando maior equilíbrio ao sistema financeiro.

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Um token pareado ao Real Brasileiro