O ether (ETH) poderia se tornar deflacionário como o bitcoin? De acordo com a especialista em blockchain da Transfero, Solange Gueiros,  a moeda foi criada para ser um combustível (taxa conhecida como gas fee) para as smart contracts, que é o poder computacional necessário para a rede e para seu armazenamento. Porém os projetos de melhoria aprovados recentemente para a rede Ethereum preveem que algumas dessas taxas podem ser queimadas, o que, em tese, faria com que o ether se tornasse deflacionário.

Cabe lembrar que uma das particularidades do ether (ETH), é que, ao contrário do bitcoin, não há previsão de quantidade limitada. Sua emissão é constante, ou seja, a cada bloco são geradas novas criptomoedas. Já o bitcoin prevê a emissão de 21 milhões de unidades.

Esse tema foi alvo de debates durante a Conferência Virtual da exchange Paxful, que aconteceu em 13 de maio. O co-fundador da Paradigma Education, Felipe Sant’Ana, explicou que a mudança EIP1559 queimará ethers da oferta circulante, proporcionalmente à demanda por gas. Isso, segundo ele, seria uma “bomba de dificuldade”, que é uma estratégia para tornar o protocolo mais difícil.

Ether preza pela inovação

“O bitcoin é extremamente conservador, mas o ether preza pela inovação. Cada caminho tem os seus prós e contras. No bitcoin governança é mais lenta. No Ethereum, as coisas mudam mais rapidamente, sua política monetária é sujeita a grupos democráticos”, disse, mencionando que o ether, ao contrário do bitcoin, não tem halving, mas sim atualizações que trazem dificuldades.

No entanto, na visão do diretor de produtos e parcerias da Transfero, Safiri Felix, é pouco provável que o ether se descole tanto do bitcoin —  mas não impossível. “O movimento de alta é uma agenda própria do ether, que carrega mudanças em seus fundamentos”, disse. “Ethereum é Ethereum e bitcoin é bitcoin. São propostas diferentes. O bitcoin nasce como commodity digital escassa e Ethereum é commodity que tem se destacado pela sua utilidade. Não entendo o ether como categoria monetária”, ressaltou.

Bolha do DeFi

O evento também debateu uma possível “bolha” que está surgindo com as finanças descentralizadas (DeFi). Na avaliação de Safiri, o DeFi é interessante por conseguir captar valores da transação e ser imune à censura, além de descentralizado. Porém, ele destaca que é preciso ter cautela. “É prematuro falar em bolha, teremos aplicações cada vez mais interessantes. Mas, é necessário ter cuidado com exageros”.

A Conferência da Paxful também trouxe uma discussão sobre golpes digitais e segurança, com o objetivo de alertar o público sobre a questão. “Atualmente, as condições de juros baixos, no Brasil, levam as pessoas a buscarem outras fontes de renda passiva. Mas é preciso ter muito cuidado com fraudes ou promessas irreais de lucro”, afirmou o advogado especializado no segmento, Artêmio Picanço.

De acordo com o especialista, a cada segundo ocorrem 15 tentativas de golpes digitais no Brasil. “Os crimes são cada vez mais sofisticados, os criminosos criam uma narrativa de aparente credibilidade, prometendo ganhos expressivos. E a falta de educação financeira das pessoas acaba levando a equívocos, que viabilizam os golpes”, disse ele. “Quem quer investir, precisa aprender a fazer contas e parar de acreditar em ganhos ‘mágicos’. Promessas descoladas da realidade, pirâmides financeiras e outras irregularidades merecem um pé atrás por parte do investidor”.

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