Gemini: criptomoedas no mainstream

Gemini: criptomoedas no mainstream

Peças publicitárias que ganharam jornais e ruas de Nova York elevam status do mercado de criptomoedas, mas também embutem riscos; saiba quais são

Gemini: criptomoedas no mainstream

Por Redação

No início de 2019, peças publicitárias da Gemini, dos gêmeos Winklevoss, ganharam as ruas e os jornais de Nova York. Com o slogan “Revolution needs rules”, a exchange anunciava estar totalmente regulada, em conformidade com a legislação do estado de NY, uma das mais restritivas do país. De uma forma geral, a chegada da Gemini repercutiu de forma bastante positiva nos meios digitais e na imprensa tradicional.

Com o movimento da Gemini em direção à regulação, o mercado interpretou que a empresa não só quis só ter uma vantagem competitiva, como também enviou um sinal para os demais participantes de que os ativos digitais estão chegando num ponto de maturidade operacional e gerencial que vai viabilizar a chegada do capital institucional às criptomoedas. Portanto, essa parcela da comunidade vê isso como o início da chegada das criptomoedas ao mainstream.

O sentimento é reforçado pela própria empresa. Em uma entrevista, o diretor de Compliance da Gemini, Yusuf Hussain, disse que, diante dos desafios que a indústria crypto passou e está passando, é importante mostrar maturidade na questão da segurança dos ativos digitais. “Ter um certificado SOC 2 de um terceiro como a Deloitte mostra que estamos nos prendendo a padrões elevados”, afirmou. A empresa é a primeira a ter esse certificado.

De fato, a questão da segurança tem sido um desafio no mercado crypto. Muitas empresas mostraram não estarem preparadas para enfrentar esse desafio. Assim, causaram perdas a seus clientes e acabaram impactando, ainda que minimamente, a credibilidade desse mercado. No entanto, a parcela de exchanges e ICOs onde isso ocorreu é ínfima diante do tamanho do mercado.

Visões distintas

Outra consequência que pode vir da chegada da Gemini ao mainstream é tentativa das concorrentes de correr atrás do prejuízo. Assim, é possível que vejamos no curto e médio prazos outras exchanges tentando se adequar à legislação tradicional. No entanto, se adequar às regras requer investimentos altos e tempo de espera. Algumas bitlicenses, como são chamadas as licenças dadas pelo regulador, podem demorar até dois anos para sair. Até o momento, estima-se haver 13 licenças emitidas.

Para o CEO da Transfero Swiss AG, Thiago César, o movimento da Gemini tem duas interpretações distintas. Uma é a que as criptomoedas estão, de fato, chegando a um nível de maturidade que permitirá que o dinheiro institucional vá para esse mercado. A outra é que a empresa, ao apoiar abertamente a restritiva regulação de NY, está concordando que a entrada de novos players nesse mercado deve ter fortes barreiras. “Isso pode atrapalhar o rápido desenvolvimento desse mercado. Esse é o clássico caso do oligopólio fomentado pelo regulador. Ou seja, o Estado escolhendo os vencedores e perdedores. Vamos observar o alcance do guarda-chuva regulatório no comportamento da empresa nos próximos meses”, afirma o executivo.